segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Receitas do Campo - Frutas Cristalizadas


Cristalizar uma fruta é impregná-la de açúcar, calda ou suco grosso (melado), de forma a secar e que possa ser conservada por um longo tempo. É uma técnica simples (mas requer paciência e tempo), podendo ser feita com toda e qualquer fruta. Podem ser consumidas ao natural, com creme de leite, com queijo, coalhada, em bolos, sorvetes ou enriquecendo saladas de frutas naturais.

Bananas Cristalizadas

bananas não muito maduras
água e açúcar para a calda
açúcar cristalizado para finalizar

Colocar as bananas inteiras em calda rala por 15 minutos. Escorrer em peneira e envolver as frutas em açúcar. Colocar ao sol para secar. Repetir a operação por 4 vezes.


Abóbora Cristalizada

1 quilo de abóbora madura
1\2 quilo de açúcar
1\2 litro de água
1 colher (sopa) de cal virgem para 1 litro de água
açúcar cristalizado para finalizar

Descascar a abóbora e cortar em pedaços, não muito grandes. Deixar de molho na água com cal virgem, por 1 hora. Escorrer e lavar muito bem, furar e colocar na calda (feita com a água e o açúcar) e deixar cozer, em fogo brando. Colocar um pouquinho de água à medida em que a calda for secando. Depois de macia, retirar a panela do fogo e deixar de um dia para o outro. Retirar para uma peneira, escorrer bem, passar por açúcar cristalizado e deixar secar ao sol.

Mamão Cristalizado

O mesmo procedimento usado para a abóbora. Quando o mamão é muito verde, colocar a casca de um limão galego na calda.

Doce Cristalizado de Laranja

Pronta a compota de laranja, retirar o tacho do fogo e deixar em repouso de um dia para o outro. Retirar as frutas para uma peneira e voltar a calda ao fogo. Deixar ferver para voltá-la ao ponto inicial. Colocar as frutas e ferver novamente, por mais 10 minutos. Deixar em repouso de um dia para o outro. Levar ao fogo, até a calda engrossar e ferver muito. Escorrer numa peneira. Passar rapidamente por água, passar por açúcar e levar ao sol para secar. Depois de seca, passar outra vez na calda de açúcar forte e deixar secar ao sol. Repetir a operação mais uma ou duas vezes, até que as frutas estejam cobertas de açúcar.

Todas as frutas em compota podem ser cristalizadas. O processo é o mesmo: deixar a fruta por vários dias em calda, sempre engrossando a calda até a fruta estar bem intumescida. Passar rapidamente em água e colocar ao sol para secar. Pode-se parar neste ponto ou continuar o processo de secagem e calda grossa até a fruta ficar bem coberta de açúcar. São bem conhecidos os figos e cajus cristalizados!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Receitas do Campo - Compotas


Compotas são frutas em calda. Podem ser feitas para utilização imediata, colocadas em recipientes comuns, em geladeira. Mas a conservação desses doces, fora de refrigeração, exige armazenagem em vidros de boca larga, esterilizados, com tampas bem vedantes, também esterilizadas passando por um processo de pasteurização. Dessa maneira, com bastante higiene e pasteurização, esses doces poderão ser conservados, fora da geladeira, por período de tempo mais longo (um ano ou mais).

De acordo com o paladar, os doces poderão conter maior ou menor quantidade de açúcar. Hoje em dia, busca-se doce de melhor qualidade, com menos açúcar, ou com uso de adoçantes.

Diversas frutas se prestam para excelentes doces: goiaba, jaca, manga, limão, laranja, figo, carambola, mamão, caju, araticum, pêssego, abacaxi...


Para doces de jaca, manga, goiaba, laranja, limão e mamão verde é preciso preparar a calda de antemão e figo, caju e carambola são colocados em água quente junto com o açúcar: são doces mais demorados (levam, às vezes, um dia inteiro em fogo baixo ou algumas horas por dia, em três ou quatro dias).

Relação de água e açúcar para a calda

Calda rala 1 litro de água e 300g de açúcar
Calda média 1 litro de água e 500g de açúcar
Calda grossa 1 litro de água e 800g de açúcar ou partes iguais (em litros: 1 litro de água e 1 litro de açúcar)

Receita Básica de Compota

1quilo de frutas (maduras e firmes)
300 a 500g de açúcar
1 xícara (chá) de água

Lavar bem as frutas e cortá-las. Colocar camadas de frutas e açúcar em tigela de louça ou vidro. Deixar repousar uma noite (forma uma calda). Levar ao fogo a fruta com a calda e a água, deixando ferver por 5 minutos. Colocar num vidro esterilizado e ferver em banho-maria por 10 a 15 minutos. Retirar as bolhas de ar com faca de aço inoxidável e fechar bem. Deixar ferver até completar o tempo de cozimento, de acordo com o tamanho do vidro.

Tabela de cozimento

Vidro de meio litro: 15 minutos
Vidro de um litro: 30 minutos
Vidro de dois litros: 1 hora

Compota de Manga

2 litros de água
1,6 quilos de açúcar cristalizado
canela (folhas ou rama)
6 mangas grandes, sem fibras, cortadas no sentido do comprimento.

Levar ao fogo, em tacho de cobre ou panela grande, a água, o açúcar e canela para fazer uma calda grossa. Ao atingir o ponto de fio, colocar as mangas e desligar o fogo. Com cuidado, retirar os pedaços de manga para vidros previamente esterilizados, ainda quentes, e despejar a calda até 1 cm antes da borda. Fechar bem e ferver em banho-maria, por 40 minutos, em fogo médio.

Compota de Goiaba

2 litros de água
1,6 quilos de açúcar cristalizado
3 quilos de goiabas firmes, sem casca e sem sementes, cortadas ao meio (canoinhas).

Levar ao fogo, em tacho de cobre ou panela grande, a água e o açúcar para fazer uma calda grossa. Ao atingir o ponto de fio, colocar as goiabas e deixar em fogo médio, até ficarem macias. Com cuidado, retirar os pedaços, arrumar em vidros, previamente esterilizados (ainda quentes), e despejar a calda até 1 cm antes da borda. Fechar bem e ferver em banho-maria, por 40 minutos, em fogo médio.

Reservar a polpa das sementes para fazer geléia.

Compota de Jaca

1 jaca dura sem sementes(abrir com a mão ou usar faca inox)
2 litros de água
2 quilos de açúcar cristalizado
cravos (fechados em um saquinho, para facilitar o descarte do tempero).

Levar ao fogo, em tacho de cobre ou panela inox, a água, o açúcar e os cravos, e fazer uma calda grossa. Acrescentar a fruta e deixar cozer por meia hora. Colocar em vidros esterilizados e quentes, tampar e colocar imerso totalmente, em água quente, numa vasilha funda, em fogo alto, até ferver. Abaixar o fogo e manter em água fervente, por 40 minutos.

Compota de Laranja

20 laranjas (só a entrecasca branca já curtida e escorrida)
2 litros de água
2 quilos de açúcar cristalizado
cravos (fechados em saquinho)

Levar ao fogo, em tacho de cobre ou panela inox, a água, o açúcar e os cravos. Fazer uma calda grossa. Acrescentar as frutas e deixar em fogo brando, até ficarem macias. Pode-se fazer em algumas horas por dia, em vários dias.

Proceder como de praxe, para colocar em vidros.

É hábito usar laranja-da-terra, toranja e pomelo por causa da entrecasca (parte branca) espessa. Mas, existem laranjas caipiras, de entrecasca espessa, que podem ser utilizadas. Colher a fruta de vez (nem verde, nem muito madura). Passar em ralo fino, para tirar uma casca bem fina (pode ser com uma faquinha bem afiada). Cortar a laranja em quatro e tirar o miolo. Colocar a entrecasca em uma vasilha com água, que deve ser trocada várias vezes, por três ou quatro dias, até perder o amargor.

Compota de Mamão Verde (fitas enroladinhas formando rosinhas)

Preparo da fruta: colher o mamão verde, novo e, em seguida, abrir e limpar. Esfregar uma esponja de aço (tipo bombril) para tirar a película externa. Cortar em tiras na longitudinal, colocar ao sol, numa apá (espécie de peneira), durante uma tarde, para murchar. As tiras murchas ficam maleáveis para enrolar. Uma vez enroladinha, passar uma linha grossa (com auxílio de uma agulha) pelo meio, para firmar. Fazer assim, cordões de rosinhas, com umas trinta em cada um. Feito isto, colocar primeiro em água fria, por duas horas e depois em água fervente para amolecer e tirar o amargor.

1 mamão verde de tamanho médio (rosinhas ou cubinhos)
2 litros de água
2 quilos de açúcar cristalizado
canela (folhas ou rama).

Levar ao fogo, em tacho de cobre ou panela inox, a água com o açúcar e canela e deixar ferver até o ponto de fio. Colocar as frutas e deixar ferver em fogo baixo, até ficarem transparentes.

Quando o doce estiver no ponto, retirar os fios, para colocar nos vidros e seguir os mesmos procedimentos para acondicionar.

Compota de Figo Verde

Preparo da fruta: colher a fruta quando tiver um pontinho roxo. Colocar em água quente e ferver até ficar macia. Esfriar rapidamente, em água fria, e colocar num freezer, para congelar. Ao retirar do freezer, passar em água corrente, retirando a casca peluda. Voltar o figo ao fogo, em água fria, deixar ferver, para voltar a cor do fruto.

2,5 quilos de figos já preparados
2 litros de água
2 quilos de açúcar cristalizado
canela (folhas ou rama)

Levar ao fogo, em tacho de cobre ou panela inox, a água com o açúcar e a canela. Quando estiver fervendo, colocar as frutas escorridas, porém quentes. Deixar cozer, em fogo brando, até amolecer. Acondicionar em vidros, conforme procedimento já explicado.

Para secar os figos: reforçar a calda e depois que estiver bem grossa e os figos bem intumescidos, cheios de calda, passar por peneira, deixar secar ao sol e passar por açúcar refinado ou cristalizado, a gosto.

Compota de Caju

Preparo da fruta: Colher a fruta madura e com uma faquinha bem afiada retirar as caretas (pontos duros do cabinho e da inserção da castanha). Furar bem a fruta e espremer com a mão, com cuidado, para retirar o sumo.

2,5 quilos de cajus já preparados
2 litros de água
2 quilos de açúcar cristalizado.

Levar ao fogo, em tacho de cobre ou panela inox, a água com o açúcar. Quando estiver fervendo colocar as frutas.

Deixar ferver e abaixar o fogo. Quanto mais tempo o caju ficar no fogo, mais avermelhado ficará o doce.

Acondicionar em vidros, conforme procedimentos já explicados.

Para secar o caju, reforçar a calda e depois que estiver bem grossa e os cajus bem intumescidos, cheios de calda, passar por peneira, deixar secar ao sol e, se preferir, passar por açúcar refinado ou cristalizado.

Compota de Carambola

2,5 quilos de carambolas inteiras ou cortadas na transversal formando estrelinhas
2 litros de água
2 quilos de açúcar cristalizado
cravos (fechados em saquinhos)

Levar ao fogo, em tacho de cobre ou panela inox, a água com o açúcar. Quando estiver fervendo colocar as frutas. Deixar ferver e abaixar o fogo. Deixar cozer em fogo brando, até as frutas ficarem macias. Acondicionar em vidros, conforme procedimentos já explicados.

A carambola em tirinhas, seca ao sol fica ótima. Todas as frutas em calda podem sofrer o processo de secagem.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Os cinco estágios da aceitação do Twitter

Quem nunca passou por varios estagios antes de aceitar uma coisa que no começo você detestava? Eu mesmo passei por várias delas. Orkut, Gmail, MSN, Google ...

Pensando nisso, tou postando um texto engraçado sobre os cinco estágios da aceitação do Twitter. Engraçado que eu estou quase no caminho. Só não concordo em divulgar meus posts por lá. (Humm, vou pensar a respeito ...)


01. Negação:
"Eu acho o Twitter estúpido. Porquê alguém se importaria com o que outras pessoas estão fazendo agora?"

02. Presença
"Ok, eu ainda não sei o motivo para as pessoas gostarem, mas eu acho que devo pelo menos ter uma conta lá."

03. Aproveitamento
"Vou usar o Twitter para colocar links para meu blog ou para direcionar as pessoas para meu press release."

04. Conversação
"Eu não posto nada interessante, mas uso o Twitter para conversar diretamente com as pessoas."

05. Microblogging
"Eu uso o Twitter para publicar informação interessante para as pessoas e ainda converso diretamente com elas."

Originalmente daqui
.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Ubuntu 9.04 Daily build inicializa em 21,4 segundos!

Fantástico, a softpedia publicou um artigo onde demonstra um testdrive do último build do ubuntu 9.04, onde diz que, utilizando o sistema de arquivos ext4 (em versão estável na última versão do kernel linux), dá boot em incríveis 21,4 segundos!

Link do artigo: http://news.softpedia.com/news/Ubuntu-9-04-Boots-in-21-4-Seconds-101885.shtml

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Receitas do Campo - Aproveitamento do Leite

Como Pasteurizar o Leite

Podemos trabalhar na feitura dos queijos com leite cru ou pasteurizado (cozido). Trabalhar o leite cru já é uma prática comum entre os que fazem queijos nas fazendas.

Pasteurizar o leite deve ser uma prática nova, que vai garantir uma qualidade melhor do leite e isto não implicará em custos maiores para o produtor. No leite pasteurizado todas as bactérias ruins do leite são eliminadas permanecendo as boas.

Para pasteurizar o leite, através do processo de pasteurização lenta, basta seguir os passos seguintes:

Esquentar o leite em uma vasilha, colocando-a direto ou em banho-maria no fogão até atingir temperatura, de 65º C. Depois de atingir esta temperatura, manter nos 65 graus por 30 minutos. Para isto basta colocar a chama do fogão o mais baixo possível.

Depois dos 30 minutos, abaixar a temperatura do leite para 37 graus centígrados (37º C) o mais rápido possível, colocando a vasilha do leite em água corrente. Quando atingir a temperatura de 37º C, o leite estará pasteurizado e pronto para ser trabalhado.


Receita Básica para o Queijo Minas Frescal

10 litros de leite
2,5 ml de cloreto de cálcio
2 tampinhas de coalho
1 colher de sopa rasa de sal

No leite a 37º C, acrescentar o cloreto de cálcio que é um produto que repõe o cálcio do leite, que se perdeu quando se fez a pasteurização. Usar, para medir o cloreto de cálcio, uma seringa de injeção, separada só para este uso. Misturar bem o produto ao leite, mexendo por 1 minuto. Em seguida, de acordo com as instruções da fábrica do coalho, dissolvê-lo em 1 copo de água morna já com uma colher de sal e adicionar tudo ao leite e mexer sem parar, por mais 1 minuto.

Deixar a massa coberta, tentando manter a temperatura de 37º C. A massa deverá ser trabalhada em 45 ou 50 minutos. Cortar a massa em blocos de 2x2x2 centímetros e mexer vagarosamente, por 20 minutos. Logo após mexer, separar a massa numa peneira forrada com um pano "volta ao mundo" (nylon) e colocar em formas com fundo sem apertar. Colocar um pouco de sal sobre a superfície. Depois de meia hora virar e colocar sal no outro lado.

O queijo deve ser colocado em geladeira para manter o seu frescor. Desenformar o queijo só no outro dia, quando então deverá ser colocado em saco plástico limpo.

Este queijo, por ser feito de leite pasteurizado, tem uma vida mais longa e rende mais que o queijo comum. Em média, consegue-se 2 queijos de 1 Kg com 10 litros de leite.

Queijo Meia-Cura

O queijo meia-cura é um tipo semelhante ao curado, só que a massa é semi-cozida. A receita caseira dele é a mesma do queijo minas frescal. Portanto, pasteurizar o leite da mesma maneira do frescal e ao fazer o queijo, usar os mesmos ingredientes da receita anterior.

O processo se altera quando, depois de mexer, tem que ser retirado 1/3 do soro e acrescentada em seu lugar, a mesma quantidade de água quente até a temperatura de 80º C. Mexer a massa com esta água, por mais 5 minutos. Separar a massa do soro e colocar nas formas, apertando com as costas das mãos. Colocar sal nos dois lados do queijo. Retirar da forma no dia seguinte e deixar curar em lugar fresco e ventilado.

Este queijo, tanto pode ser comido ainda fresco, quanto curado ou ter outros usos na cozinha.

Receita Básica de Ricota

10 litros de soro de queijo
3\4 de copo de suco de limão, vinagre ou soro azedo
sal (opcional)

Colocar o leite, já medido, para ferver o mais rápido possível, até atingir a temperatura de 93º centígrados, ou seja, quando começar a subir fervura. Neste momento, misturar um dos ingredientes sugeridos e mexer, vigorosamente, por 1 minuto. Deixar esfriar, e, em seguida, passar tudo por um pano fino (volta ao mundo). A massa ficará seca em mais ou menos 6 horas.

A ricota pode ser usada de diversas formas, tanto para ser consumida pura, com um pouco de sal e temperos verdes, quanto para tortas e doces.

Ricota Árabe

10 litros de leite cru
4 copos de coalhada síria

Ferver o leite. Deixar esfriar até 43º C e adicionar a coalhada síria, mexendo energicamente, por 1 minuto, sem parar. Tampar bem ou cobrir com um plástico e colocar em lugar protegido do frio. O leite deve estar coalhado em 6 horas, mais ou menos.

Depois da coalhada pronta, voltar ao fogo até levantar fervura e deixar descansar até esfriar. Passar pelo pano "volta ao mundo", até secar. A massa está pronta para ser enformada e esfriada ou ser utilizada para chanclish e arish.

Chanclish (Bolinha de Ricota Árabe)

Massa pronta da ricota árabe, temperar com sal a gosto. Fazer bolas (tamanho de limão) e colocar em peneira de palha ao sol por 3 a 4 dias. Limpar o bolor de vez em quando. Uma vez as bolas bem durinhas, temperar com zatar (tempero árabe: mistura de orégano, alfavaca e gergelim).

Arish (Bolinha de Ricota Árabe)

Massa pronta da ricota árabe. Temperar com sal a gosto. Fazer bolinhas (tamanho bola de gude) e colocar em peneira de palha à sombra para secar. Passar ou não zatar. Acomodar em vidro esterilizado e cobrir com óleo de boa qualidade (girassol, milho ou arroz) ou azeite de oliva. Fechar bem e armazenar em local fresco e arejado.

Queijo Mussarela

Este é o queijo de origem italiana, onde o leite passa por processos que duram cinco dias, para se obter o produto final.

Para iniciar o processo de feitura do queijo, é necessário buscar, em alguma fábrica das redondezas, o "fermento", que vem a ser o soro do queijo, que já foi feito e que passou por um processo de aquecimento leve, para que ele possa fermentar.

Receita Básica

10 litros de leite
fermento (mais ou menos 1 copo)
coalho líquido.

Aquecer o leite à 37º C.

No fermento do dia anterior, colocar a quantidade de coalho recomendado no rótulo do produto (2 tampas para 10 litros de leite). Mexer por 1 minuto e aguardar 45 minutos, até o leite talhar. Mexer por 20 minutos e guardar um pouco do soro, para ser transformado em fermento, no dia seguinte.

Tirar 1/3 do soro da massa e acrescentar água quente a ela. Esta água vai fazer a massa ficar cozida. Escoar toda esta massa numa peneira, coberta com um pano de queijo e deixar descansar sobre uma vasilha até o outro dia de manhã.

No 2º dia, cortar a massa em fatias finas e com água quente amolecer a massa e esticar, levantando de dentro da vasilha. Moldar a massa em formatos que desejar: formas de 1 ou 5 quilos, trancinhas, nozinhos... Colocar o queijo, já pronto, na salmoura, que já deverá estar preparada. O queijo, dependendo do tamanho, fica de seis a 20 dias neste líquido.

Salmoura

5 litros de água
1 quilo de sal

Ferver a água com o sal, por uma hora, deixar esfriar. A salmoura tem que ser preparada com antecedência, para não estragar o queijo. Quando a salmoura ficar fraca, acrescentar mais sal. O queijo, depois de passar pela salmoura, deve ser embalado em saco plástico e guardado em geladeira ou até mesmo em freezer.

Requeijão Cremoso

3 litros de leite cru ou pasteurizado
1\2 xícara (chá) de vinagre ou suco de limão coado
3 colheres (de sopa) de margarina ou manteiga
3 colheres (de sopa) de leite em pó
azeitonas pretas (opcional)

Aquecer o leite até começar a subir (antes de abrir fervura)

Separar 1\2 copo deste leite.

Voltar o leite ao fogo, quando voltar a subir, adicionar o vinagre, ou limão mexendo rapidamente, e retirando de imediato do fogo.

Deixar repousar por 2 minutos. Separar a massa num coador.

Bater no liquidificador a massa com os outros ingredientes e com o leite que foi separado no início, por 10 minutos.

Se gostar, acrescentar a esta massa, no liquidificador, azeitonas sem semente ou cebolas ou alho fresco.

Iogurte

É comum em áreas rurais ou urbanas tomar uma coalhada, que vem a ser o leite talhado naturalmente, que é consumido in natura ou com açúcar e geléias.

Uma outra forma de transformar o leite, tipo coalhada, é acrescentar a ele o Lactobacilus sulgaricus e S. thermophilus. Com o acréscimo destes elementos naturais à massa, o iogurte fica mais consistente e mais adocicado que a coalhada.

Depois de preparado, o iogurte pode ser repetido usando "um pé" ou "uma isca" do iogurte que foi preparado anteriormente.

No iogurte natural pode ser adicionado mel, açúcar, geléias caseiras ou cereais tipo granola.

Receita Básica

3 litros de leite

1 pacote de fermento láctico ou 1 copo de iogurte natural

Ferver o leite até 100º C e deixar esfriar em seguida até 40, 45º C. Acrescentar o fermento láctico ou iogurte natural e pôr a vasilha com o leite em um local quente, bem fechada e enrolada num saco plástico. O leite se transformará em iogurte em mais ou menos cinco ou seis horas.

Receita Básica de Doce de Leite Cremoso

150 gramas de açúcar cristal
1 litro de leite
casquinhas de limão (opcional)

Colocar o leite cru num tacho e deixar levantar fervura. Se quiser um doce de leite mais liso, colocar o açúcar, assim que o leite ferver, e se quiser um doce menos liso e mais "grumento", deixar o leite ferver, até ficar pela metade, e, então, acrescentar o açúcar, que já estava pesado e separado.

O doce de leite estará bom quando, ao mexer o tacho, pode-se ver o fundo do mesmo. Colocar o doce, ainda quente, em vidros esterilizados, com tampas esterilizados e ferver por 40 minutos, em banho-maria.

Receita Básica de Doce de Leite em Pedaços

250 gramas de açúcar
1 litro de leite
casquinhas de limão (opcional).

Colocar no leite, já aquecido, o açúcar, já pesado, e acrescentar as casquinhas de limão, se assim o desejar. Quando começar a borbulhar, fazer vários testes, colocando pingos grossos do doce em uma vasilha rasa com água: se, ao juntar a massa, esta ficar dura, o doce estará pronto para ser batido.

Para bater a massa do doce aconselha-se colocar o tacho em cima de um pneu, para facilitar a batedura.

Quando o doce estiver quase "morrendo" (ficando esbranquiçado e formando ondas que não se desfazem) colocar a massa em um folhão, já previamente untado com manteiga ou margarina.

Para conseguir fazer o doce ficar bonito enfiar a mão num saco plástico vazio e fazer a massa ficar igual na vasilha.

Cortar o doce quando estiver frio e, se, por acaso, o doce não der o ponto procurado, voltar com a massa ao fogo para obter um ponto melhor.

A este doce também pode ser acrescentado amendoim, coco, baru...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

DropBox - Armazenamento gratuito de arquivos

Olha, estava vendo meus blogs de sempre hoje e vi no blog do Compulsivo um post sobre um site de armazenamento de arquivos chamado Dropbox, que achei bastante interessante.

Se levarmos em consideração que o Google Pages está com seus dias contados, essa solução vem bem a calhar. Eu não conhecia nenhuma outra opção grátis e fácil de usar para armazenar os vários arquivos utilizados pelo blog. Digo que essa dica do Compulsivo veio em excelente hora! Segue aí um pouco mais sobre o serviço ...




O Dropbox é uma ferramenta para backup remoto e sincronização de dados para linux, mac e windows. Ela oferece gratuitamente 2Gb de espaço para armazenamento dos seus arquivos. Como tem pouco tempo que descobri essa ferramenta, a versão para linux foi a única que utilizei até agora. Ela integra-se muito bem ao nautilus, tornando o uso da aplicação muito simples: basta copiar o arquivo para a pasta do Dropbox. Ele sincroniza automaticamente os arquivos com o servidor e com suas máquinas cadastradas se/quando elas estiverem online.

De quebra você ainda pode acessar os arquivos via interface web, além da aplicação possuir um controle de versões permitindo você recuperar uma versão antiga de um documento.

Isso me faz lembrar o Google Sites. Controle de versões para os arquivos é mara!

A aplicação possui um servidor central e possui parte de seu código fechado, assim não recomendo o seu uso para dados sensíveis mas, ainda assim, diante sua facilidade de uso, é uma mão na roda!

No mais, vc vai encontrar mais informações no post do Compulsivo, cujo link se encontra no topo desse post.



Ah, em tempo: no site deles você encontra os pacotes para o Ubuntu Intrepid (8.10) =D
Quick update on Linux support. Dropbox now officially supports Ubuntu 8.10 :-). The latest release (0.6.416) resolves the last of the Intrepid specific issues we know of. The Intrepid repository up and running and ready to add to your apt sources:

deb http://linux.getdropbox.com/ubuntu intrepid main
deb-src http://linux.getdropbox.com/ubuntu intrepid main

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

HTC Touch, impressões finais

Bom pessoal, a maioria de vocês sabe bem que eu comprei há um ano atrás um smartphone com Windows Mobile para usar no meu dia-a-dia. De lá para cá, passei por vários entendimentos e desentendimentos com meu Touch. E hoje? O que eu faria? Eu voltaria para meu Samsung D900i.

A história é interessante. No final do ano passado, eu havia decidido que não esperaria mais para comprar um smartphone com o Android, e decidi então procurar um até poder comprar um com Android.

Desde então, comecei a estudar um aparelho que se adequasse às minhas necessidades, mas nenhum era completo. No meio dessas frustrações a minha paciência se esgotou, e eu resolvi partir para “comprar um só para quebrar o galho”.

Nesse meio termo, eu encontrei uma empresa chamada HTC que recentemente havia lançado um produto baseado no Windows Mobile, chamado HTC Touch.

No começo, eu fiquei meio intrigado com ele, mais depois fui me afeiçoando, mais do que estava pelo Android ou pelo OpenMoko.

Contrariei tudo o que eu sempre costumo falar para vocês que me enviam emails com dúvidas. Para piorar, cometi o erro de “pagar caro para pegar na hora”. No mês de dezembro acabei comprando o dito cujo.

O que mata no HTC Touch, é o fato de ele ser extremamente LERDO. Praticidade é tudo… tudo o que você não tem em um aparelho que engasga para executar a maioria das operações. O Windows Mobile também me decepcionou um pouco no quesito usabilidade, mas aí não é culpa do pobre do HTC...


De agora em diante, sem teclado QWERTY físico não dá.

Você pode baixar quantos teclados virtuais quiser, mas o Touch é lindo por ser minúsculo. Se o teclado for grande, você digita quase bem, mas não vê mais nada além do teclado na tela.

Enviar emails, postar no twitter ou digitar endereços no Opera Mobile são atividades complicadas de se fazer em movimento. Você precisa parar no meio da rua, e acaba chamando a atenção de todo mundo para o seu aparelho.

Quanto ao Android, até que eu tenha a oportunidade de testá-lo no dia-a-dia, tomo a liberdade de não incluí-lo nesta regra. Se você já usa um, diz aí se o teclado é prático.

O HTC Touch tem Windows Mobile 6.0! Isso é bom, não?

Você já tentou instalar o Windows Vista em um Athlon 1.3ghz com 512MB de Ram? Uma dica: não tente.

Na melhor das hipóteses o sistema roda, mas é um programa de cada vez. No caso do Touch, certos programas eu sequer consegui rodar, nem com overclock. O belo travava, e só retirando a bateria para resolver. Sem falar que, para usar o programa para tirar fotos, você precisa praticamente fechar todas as outras aplicações. Um saco.

Pelo menos o Windos Mobile sincroniza todos os dados do telefone com o PC.

Teoricamente sim, mas isto não é uma exclusividade do WM. Aliás, desconsidero completamente esta hipótese, após várias tentativas mal sucedidas de tentar sincronizar o Touch com o meu notebook com Windows XP.

Linux então? Até desisti de tentar fazer sincronia. Atualmente uso meu notebook somente para carregar as baterias do Touch. Qualquer transferência de dados faço usando o adaptador de cartões MicroSD. É mais rápido e mais prático.

O Touch é um excelente player musical

Sinceramente, meu D900i era muito melhor!!

Eu sempre usei meu celular como player digital, e logo que comprei meu HTC, tratei de equipá-lo com um cartão de memória de 1GB. Depois de um tempo, comecei a notar que ouvir música nele por mais de uma hora me dava dor de cabeça. Já tinha ficado claro para mim que os fones originais eram meia-boca, mas só depois de outros testes fui constatar que era pior do que eu pensava.

O som é bem agudo, e escutar música com o volume um pouco mais alto (necessidade quando se está dirigindo a moto ou em locais movimentados), me dá a sensação de estar enfiando uma agulha no ouvido.

Até comprei um adaptador para usar outros fone nele, mas paguei caro e ainda por cima o adaptador estourou depois de uma semana de uso.

Os controladores físicos de volume, e de troca de faixas do Touch também não funcionam se o aparelho estiver em stand-by. E ouvir músicas sem colocar o aparelho em stand-by, é pedir para drenar a bateria em poucas horas.

Aí você que escolhe entre ficar tirando o aparelho do bolso e correr o risco de ser roubado, ou simplesmente não usá-lo porquê a bateria acabou durante a viagem.

Sem contar outra coisa: Quer usar algum toque personalizado para mensagens ou para despertador? Desista. Eu já tentei de tudo para fazer meus mp3 servirem de toques de mensagem ou de despertador, mas nada resolveu meu problema.

Outra coisa interessante. Depois de vários anos usando meus celulares como players de música, foi só com o Touch que me veio a idéia de comprar um MP3/4/5/6/7/8/9 Player em separado. Veja só !!

Concluindo

O HTC Touch ainda é um pouco caro para a potência do aparelho. Sei de gente que vive muito bem com o ele, e o indica. Eu diria que ele é um aparelho de entrada para o mundo dos SmartPhones, mas é um pouco caro demais por ser de entrada.

Não aconselho a compra se você é (assim como eu) um pouco mais exigente.

Se fosse hoje, eu provavelmente teria optado por esperar o lançamento do HTC G1 (Android) ou pelos celulares da Samsung (Meu preferido: i8510 INNOV8), por conta da boa experiência que tive com os D500, D600 e D900i. Tarde demais.

Dizem que não é uma boa idéia fazer compras quando se está com fome. Pura verdade.

P.S.: Nada contra Bia, mas lutei muito tempo pra aprender a gostar do meu Touch, mas decididamente não foi dessa vez que eu me senti bem com meu aparelho. Vc se deu muito bem com o seu, mas eu não me senti totalmente feliz com o meu, tanto que estou até tentando comprar novamente um D900i ou um INNOV8 daqui para o final do ano.

Só para não frustrar quem veio aqui procurando sobre funcionalidades para o Touch, aqui vai o link do blog da Bia, o Garota sem Fio, que trata sobre tecnologia.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Receitas do Campo - Desidratação Solar de Frutas

"O Sol é a Fonte Vital em nosso Planeta Vivo."

A energia solar é abundante, inesgotável , gratuita , não poluente e na forma de calor e luz pode ser útil na desidratação de alimentos...frutas, legumes, sementes...

Desidratar quer dizer: secar, tirar água, extrair água de um produto. A desidratação ou secagem solar, nas regiões trópico/equatoriais, é um método simples, natural, saudável e econômico de conservação de alimentos. É uma ecotécnica ambientalmente equilibrada, porque não consome recursos naturais. É apropriada, principalmente, a pequenos proprietários rurais de economia familiar. É, também, considerada uma tecnologia adaptada ao desenvolvimento sustentável, diversificando atividades e produtos, agregando-lhes sabor, durabilidade e valor, sendo de baixo custo de implantação e operação, aproveitando os excedentes de produção nas safras, conservando-os para épocas de entressafra e/ou épocas de escassez. Neste sentido, ganha o pequeno produtor que beneficia os seus produtos, conseguindo maior prazo de validade, evitando atropelos de comercialização, podendo explorar mercados mais distantes, onde determinadas frutas inexistem.

A fruticultura é apropriada à agricultura tropical ecológica por constituir cultivos permanentes, admitir consórcios (banana, mamão, abacaxi, cana-de-açúcar, algodão, café, guandu, milho, ervas aromáticas e plantas medicinais...) em níveis e de multi-extratos, diversidade biológica, sustentabilidade sócio/ambiental...

As frutas são alimentos de alto valor nutritivo, adequadas em dietas leves e energéticas. Jacas, mangas, cajus, caquis, maçãs, mamões, bananas, abacaxis, uvas, ameixas, figos, pêssegos... Tudo pode ser conservado com a desidratação.


Fontes de Calor para o Sistemas de Secagem

Considerando-se que fontes de calor vindas da queima de gás GLP, óleos... são poluentes e não renováveis, assim como o aquecimento elétrico, além de caro e perigoso, tem ônus ambiental questionável, e sendo a energia solar gratuita e vitalizante para todas as criaturas do planeta, sugerimos esta fonte primária para a secagem de alimentos, expondo-os diretamente à insolação dentro de caixas pretas inclinadas ao sol, com tampas transparentes e pequenas aberturas para entrada de ar seco e remoção do ar úmido. Para aprimorar o sistema de desidratação, pode-se construir um pré-aquecedor de ar ou coletor solar.

O ar aquecido no coletor é insuflado (movido) por convecção natural para a câmara/caixa ou ambiente de secagem, onde as frutas encontram-se expostas à radiação solar. Nas câmaras de secagem, a passagem da corrente de ar pode ser horizontal (sobre a camada de frutas) ou no sentido vertical (debaixo para cima) através das camadas de frutas dispostas em bandejas. Nos dois casos é importante conseguir uma boa distribuição da corrente de ar, evitando fluxos preferenciais, que secam os produtos de forma desigual.

Princípios da Secagem

Um ambiente fechado com incidência de raios solares esquenta, aquece, principalmente se for escuro, pois, o preto absorve maior quantidade de calor.

A cobertura transparente permite a entrada de luz e calor do sol, diretamente sobre as frutas, concentrando calor dentro da caixa. Também evita a entrada de poeira, chuva e animais (quati, macaco, roedores) ou insetos (moscas, abelhas, besouros, vespas, mosquitos, etc..).

As frutas esquentam e desidratam nesse ambiente (uma caixa escura coberta por um vidro), perdendo água na forma de vapor. O ar quente, com vapor, sempre sobe (convecção natural), e para facilitar esse fenômeno e remover a umidade dentro do secador, serve a inclinação da caixa e o sistema de ventilação. O ar em movimento (vento) seca mais rapidamente.

Equipamentos para Desidratação Natural

Sendo a desidratação natural um dos métodos mais tradicionais e antigos de conservação de alimentos, surgiram os mais diversos dispositivos para secagem, que consiste em expor a matéria prima à radiação solar e condições climáticas de temperaturas elevadas, baixas umidades, ventos e sobre superfícies escuras. Tradicionalmente, a exposição direta foi sendo substituída por câmaras/estufas, com aquecimento adicional, que pode ser com fogo de lenha ou gás, ou elétrico.

Para o processamento de maiores quantidades de matéria-prima, desenvolveram-se secadores tipo túnel, que requerem mais habilidade na operação. Neste caso pode-se optar, também, por secadores solares em série, até atingir a área necessária para processar toda a matéria-prima, com baixo custo inicial e energia gratuita.

Construção de Equipamentos para Desidratação Natural de Alimentos

Temos observado que, na prática, o secador solar de frutas é o mais indicado, pois, aplica-se ao pequeno proprietário rural da nossa região (geralmente descapitalizado), que necessita de tecnologias de baixo custo, simples e adaptadas, que diversifiquem suas atividades produtivas, usando a mão de obra familiar disponível, agregando valor e qualidade aos alimentos, ampliando suas possibilidades de auto-sustentação e de vendas nos mercados, gerando benefícios e rendas... Considerando que estamos em região de clima trópico/equatorial, onde a energia solar é gratuita e abundante (principalmente na estação seca), bem como não poluente, e, por isso, sustentável para nossa atual necessidade de desenvolvimento, propomos um sistema de desidratação misto (solar/lenha ou biogás), com pré-aquecimento do ar da câmara de secagem, sendo que este modelo otimiza a energia solar, é de fácil implantação e apropriado para a estação chuvosa ou produção intensiva.

Casa de Processamento

Para um processamento mais eficiente em escala maior, tipo comunitária, constrói-se um ambiente específico para lidar com as frutas. Neste espaço tem-se a recepção da matéria prima, armazenamento/amadurecimento adequado para as diferentes espécies a serem desidratadas, banheiro e trocador de roupa, lavagem das frutas in natura em tanques, sala de processamento com mesa própria para descasque, lavação das bandejas, mesa para pesagem/embalagem, armazenamento das frutas secas.

O Processamento dos Alimentos

Noções básicas de higiene:

A Unidade de Desidratação (sala de processamento mais secadores) deverá ser instalada em local com um mínimo de infra-estrutura, como água potável, piso lavável, instalações hidráulicas, mesa de aço inox ou revestida de azulejos.

As pessoas envolvidas diretamente com processamento das frutas devem ter muito asseio pessoal. As mãos e as unhas devem estar bem limpas e os cabelos protegidos, para evitar que caiam sobre o produto. Se possível, usar guarda-pó ou uma vestimenta só para esse serviço.

Os utensílios e ferramentas utilizados no processo devem ser lavados e bem limpos.

Etapas de manipulação:

As frutas devem estar bem maduras, provenientes de uma maturação natural. Antes de serem descascadas, as frutas devem ser bem lavadas em água corrente, para garantir a boa qualidade do produto sem contaminações.

As frutas descascadas devem ser colocadas de forma ordenada nas bandejas, deixando-se um pequeno espaço entre elas para circulação do ar de secagem. Manusear o produto o mínimo possível, deixando para selecionar após estar seco.

Inicialmente ocorrerá uma grande evaporação, por causa da elevada umidade do produto, podendo ocorrer condensação no vidro do secador. Neste caso, o operador deve aumentar a circulação interna do ar no secador, abrindo parcialmente as portas de ventilação. Lembrar de secar a umidade noturna (condensação de água) no vidro do secador, com pano de algodão limpo.

Após um tempo variável entre 36 a 72 horas de secagem, específico acada alimento, observa-se que o produto encolheu, perdendo água e diminuindo no tamanho, e encontra-se com menos de 25 % de umidade, recomendada para uma boa conservação do produto. Influenciam no tempo de desidratação a carga do secador solar, o tamanho das partículas a serem desidratadas, o tipo da fruta, a umidade do ar externo... Na época das chuvas é melhor cortar as frutas em pedaços menores, auxiliando numa secagem mais rápida, apesar de ocupar mais área no secador.

Observando-se que o produto está nas condições desejadas (menos de 25% de umidade) deve-se recolhê-lo num recipiente onde resfriará, sempre coberto por um pano de algodão limpo e seco.

Embalagem:

Procura-se usar embalagens úteis, recicláveis, bonitas e que tenham a ver com o produto e/ou com a região, possibilitando a apresentação de uma embalagem artesanal, que gere emprego local e use materiais renováveis...

Armazenamento:

Em latas ou lugar seco e fresco.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Sobre Formigas e Complexidades do Mundo

Para o final do ano, preparei esse texto, pego de um site (que está citado no rodapé do post) sobre como alguns animais conseguem ser altamente adaptáveis em grupo. Excelente leitura.

Formigas, abelhas e aves nos ensinam a lidar com a complexidade do mundo.

Sempre achei que as formigas sabiam muito bem o que faziam. Quando marcham de um lado para o outro no balcão de minha cozinha, elas parecem tão confiantes que nunca me passou pela cabeça que não tivessem um plano, nem sabiam para onde iam e o que era preciso fazer. Afinal, se não soubessem, como poderiam organizar rotas, construir formigueiros complexos, montar ataques épicos?

Agora sei que estava errado. As formigas não são, no fim das contas, pequenos e brilhantes engenheiros, arquitetos e soldados - pelo menos não enquanto indivíduos. "Se notarmos uma formiga tentando fazer algo sozinha, ficaremos impressionados com sua estupidez", diz a bióloga Deborah M. Gordon, da Universidade Stanford.


Como se explica, então, o êxito das 12 mil e tantas espécies conhecidas de formiga que sempre prosperaram em nosso planeta? Desde que surgiram, há 140 milhões de anos, alguma coisa elas devem ter aprendido. "As formigas não são inteligentes", diz Deborah. "Mas um formigueiro é outra história." Uma colônia é capaz de resolver problemas inconcebíveis para cada formiga, tal como achar o caminho mais curto para a melhor fonte de comida. Individualmente, as formigas podem ser criaturas estúpidas, mas reunidas em formigueiros reagem ao ambiente com rapidez e eficiência. Ao fazer isso, revelam algo que ficou conhecido de "inteligência de enxame".

O surgimento desse tipo de inteligência está associado a uma questão fundamental na natureza: como se explica que as ações simples de cada indivíduo resultem no comportamento complexo do grupo? Como centenas de abelhas fazem para tomar uma decisão crucial a respeito da colmeia quando muitas delas estão em desacordo? O que permite que um cardume de arenques coordene seus movimentos com tal precisão que consegue mudar de direção em um átimo? As habilidades coletivas desses animais parecem milagrosas até mesmo para os biólogos que dedicam a vida a estudá-los. Durante as últimas décadas, porém, eles vêm acumulando uma série de descobertas intrigantes sobre o assunto.

Um elemento crucial em um formigueiro, por exemplo, é o fato de que ninguém está no comando. Não há nenhum general à frente das formigas-soldados. Não há gerentes controlando as operárias. Quanto à abelha-rainha, sua única função é pôr ovos. Mesmo com meio milhão de formigas, uma colônia funciona muito bem sem nenhum sistema de controle - pelo menos não há nada reconhecível nesse sentido. Em vez disso, o funcionamento da colônia está baseado em incontáveis interações entre as formigas individuais, cada qual seguindo regras práticas muito simples. Os cientistas descrevem sistemas desse tipo como sendo auto-organizados.

Vamos considerar o problema da distribuição de tarefas. No deserto do Arizona, onde Deborah Gordon estuda as formigas-colhedoras-vermelhas, a cada manhã a colônia decide quantas operárias serão enviadas para fora em busca de comida. E essa quantidade pode variar, dependendo das condições de cada dia. Caso as formigas forrageiras tenham topado recentemente com um depósito excepcional de sementes nutritivas, talvez seja preciso enviar mais operárias a fim de transportar o tesouro para o formigueiro. Este foi danificado, na noite anterior, por uma chuva forte? Um grupo adicional precisa ficar e ajudar nos reparos. A mesma formiga pode trabalhar um dia no formigueiro e, no seguinte, levar o lixo para fora dele. A pergunta é: como a colônia consegue fazer tais ajustes se não há ninguém no comando? Deborah sugere uma explicação para isso.

As formigas comunicam-se por meio do toque e do odor. Quando uma delas dá um encontrão em outra, ambas se farejam com suas antenas para ver se pertencem ao mesmo formigueiro e em que tarefas estão empenhadas. (Aquelas que trabalham fora do formigueiro exalam um cheiro diferente das que permanecem no interior.) Antes de deixarem o formigueiro a cada dia, as forrageiras esperam pelo retorno das patrulheiras que saíram de manhã. Assim que estas retornam, elas tocam brevemente com suas antenas nas das forrageiras. "Ao entrar em contato com uma patrulheira, a forrageira tem um estímulo para sair", diz Deborah. "Mas são necessários vários contatos com intervalos inferiores a dez segundos para que ela tome essa decisão."

Para checar isso, Deborah e seu colaborador Michael Greene capturaram formigas patrulheiras assim que saíram do formigueiro certa manhã. Após meia hora, simularam o retorno das formigas introduzindo contas de vidro na entrada do formigueiro em intervalos regulares - algumas lambuzadas com odor de patrulheiras, outras com odor de operárias de manutenção e outras sem nenhum odor. Apenas as contas com o cheiro de patrulheiras estimularam a saída das forrageiras. Isso os levou à seguinte conclusão: pela freqüência com que topam com as patrulheiras que vêm de fora, as forrageiras decidem se vale a pena sair. (Se cruzam com as patrulheiras no ritmo certo, então é hora de buscar comida. Caso contrário, é melhor esperar: talvez esteja ventando muito, ou talvez haja um tamanduá esfomeado lá fora.) Uma vez que as formigas começam a sair e a retornar com alimento, outras passam a ajudar também, mas sempre dependendo da freqüência com que encontram forrageiras que voltam carregadas."Uma forrageira só volta ao formigueiro quando encontra algo", diz Deborah. "Quanto menos alimento houver, mais tempo é preciso para achá-lo e levá-lo para casa. Quanto mais alimento existe, mais rápido ela retorna. Assim, ninguém decide que aquele é um dia bom para buscar comida. A coletividade acaba fazendo isso, mas não pela decisão individual de alguma formiga."

Assim funciona a inteligência de enxame: criaturas simples seguindo regras simples, cada qual atuando com base em informações locais.

Inspirado pela elegância dessa idéia, o cientista Marco Dorigo, especializado em computação e vinculado à Université Libre em Bruxelas, aproveitou seu conhecimento do comportamento das formigas para criar, em 1991, procedimentos matemáticos destinados à solução de problemas humanos cotidianos muito complexos, tais como a definição de rotas de caminhões e as reservas de passagens em companhias aéreas.

Em Houston, por exemplo, a companhia American Air Liquide adotou uma estratégia baseada nas formigas para resolver um problema empresarial. A empresa produz gases para fins industriais e médicos - nitrogênio, oxigênio, hidrogênio - em uma centena de usinas nos Estados Unidos e precisa entregar seus produtos em 6 mil locais, usando gasodutos, trens e 400 caminhões. Os custos de produção variam de acordo com oscilações regionais nos preços de energia. Em algumas regiões, a desregulamentação do mercado de energia (o preço da eletricidade varia de 15 em 15 minutos em algumas áreas do Texas) torna a situação ainda mais complicada.

"Neste momento, em Houston, um megawatt custa 44 dólares para um cliente industrial", diz Charles N. Harper, que cuida do sistema de entregas da Air Liquide. "Mas na noite passada o preço era 64 dólares, e na segunda, quando entrou a frente fria, 210 dólares!" O problema da companhia era administrar todas essas variáveis.

Com a ajuda do Bios Group (atualmente NuTech Solutions), uma empresa especializada em inteligência artificial, a Air Liquide desenvolveu um modelo digital baseado em algoritmos inspirados no comportamento forrageiro das formigas-argentinas, uma espécie que secreta substâncias químicas conhecidas como "feromônios".Quando carregam alimentos para o formigueiro, essas formigas deixam uma trilha de feromônio "que indica para as outras formigas onde estas podem conseguir comida", explica Harper. "A trilha de feromônio é reforçada cada vez que passa uma formiga em uma ou outra direção, mais ou menos como uma trilha muito usada no meio da mata. Por isso criamos um programa que envia bilhões de formigas digitais para que descubram onde estão as trilhas de feromônio mais fortes para as rotas de nossos caminhões."

As formigas haviam desenvolvido um método eficiente para achar as melhores rotas em suas vizinhanças. A Air Liquide associou a abordagem das formigas a outras técnicas de inteligência artificial de modo a levar em conta todas as permutações entre cronogramas de produção de suas usinas, condições climáticas e rotas de caminhões - milhões de possíveis decisões e resultados por dia. Todas as noites, o modelo computacional é alimentado com previsões de demanda e de custos de produção. "Leva quatro horas para fazer todo o processamento", conta Harper. "Mas todas as manhãs, às 6 horas, temos um esquema para orientar-nos durante o dia."

Para os motoristas, não foi fácil se acostumar com o novo sistema. Em vez de entregarem o gás produzido na usina mais próxima de um cliente, como faziam antes, agora eles têm de carregar os caminhões em qualquer usina que esteja produzindo gás ao menor custo no ponto de entrega, mesmo se fisicamente ela estiver localizada mais longe. "Dirigir mais 150 quilômetros? Para os motoristas, não havia lógica nisso", diz Harper. Para a empresa, porém, a redução de custos foi significativa. "É enorme o ganho. Enorme."

Outras companhias também estão lucrando ao imitar o comportamento das formigas. Na Itália e na Suíça, frotas de caminhões para entrega de leite e laticínios, óleo para o aquecimento doméstico e alimentos em geral também recorrem às regras das formigas forrageiras para determinar as melhores rotas. Na Inglaterra e na França, companhias telefônicas ampliaram o tráfego de chamadas em suas redes depois de programarem as mensagens para que depositem feromônios virtuais em estações de distribuição, tal como as formigas deixam sinais para que suas companheiras encontrem as melhores trilhas.

Nos Estados Unidos, a companhia aérea Southwest Airlines testou um modelo desse tipo para melhorar o atendimento no aeroporto de Phoenix. Com 200 aviões decolando e pousando em duas pistas a cada dia, e usando pontos de embarque e desembarque em três terminais, a empresa queria assegurar que cada aeronave entrasse e saísse do aeroporto no menor tempo possível, mesmo que o vôo estivesse adiantado ou atrasado. "As pessoas não gostam de ficar a apenas 500 metros de um portão de desembarque e ter de esperar até que fique vago", diz Doug Lawson, da Southwest. Ele criou um modelo computacional do aeroporto, atribuindo a cada avião a capacidade de lembrar quanto tempo levou para se aproximar e se afastar de cada portão. Em seguida rodou o modelo de modo a simular a atividade de um dia no aeroporto.

"Os aviões são como formigas em busca do melhor portão", diz ele. Mas em vez de deixar feromônios virtuais ao longo do caminho, cada aeronave lembra-se dos portões mais rápidos e esquece-se dos mais lentos. Após muitas simulações, usando dados verdadeiros para variar os tempos de chegada e partida, cada avião aprendeu a evitar uma espera intolerável na pista. A Southwest ficou tão satisfeita que talvez use um modelo similar para agilizar os balcões de check-in.Quando se trata de inteligência de enxame, as formigas não são os únicos insetos que têm algo útil a nos ensinar. Em uma pequena ilha no litoral sul do Maine, o biólogo Thomas Seeley vem investigando a extraordinária capacidade das abelhas para tomar boas decisões. Com uma única colmeia abrigando até 50 mil operárias, elas aperfeiçoaram maneiras de resolver as diferenças de opinião entre os indivíduos em benefício da colônia. Se as pessoas pudessem fazer o mesmo em salas de reuniões ou assembléias de condomínio, diz Seeley, evitaríamos muitos desgastes associados à tomada de decisões que afetam nossa vida.

Durante a última década, Kirk Visscher e outros cientistas dedicaram-se a estudar as colônias de abelhas comuns para descobrir como elas escolhem um novo lar. No fim da primavera, quando a colmeia atinge sua lotação máxima, a colônia em geral se divide, e a rainha, alguns zangões e cerca de metade das operárias voam por uma pequena distância e agrupam-se em um galho de árvore. Ali as abelhas ficam enquanto uma pequena porcentagem delas sai em busca de novo local para estabelecer a colmeia. O lugar ideal seria uma cavidade em uma árvore, distante do chão, com um pequeno buraco de entrada voltado para o sul e muito espaço interno para os filhotes e o armazenamento de mel.

Para descobrir como as abelhas tomam essa decisão, a equipe de Seeley aplicou pontos de tinta e minúsculos marcadores de plástico para identificar todas as 4 mil abelhas em cada um dos vários enxames pequenos que levaram para a ilha Appledore, onde está instalado o Laboratório Marinho dos Baixios. Ali, em uma série de experimentos, eles soltaram cada um dos enxames para que localizassem caixas que haviam sido deixadas em um dos lados da ilha, que tem cerca de 1 quilômetro de extensão e, embora seja coberta de arbustos, quase não tem árvores ou outros lugares para as colmeias.

Em um dos experimentos, os cientistas prepararam cinco caixas, das quais quatro não eram grandes o bastante e apenas uma tinha o tamanho ideal. As abelhas exploradoras logo descobriram as cinco caixas. Quando voltaram ao enxame, cada uma delas realizou uma dança que incentivava outras exploradoras a darem uma olhada. (Essas danças incluem um código com indicações da localização de uma caixa.) E a intensidade da dança refletia o entusiasmo da abelha exploradora com o local. Pouco tempo depois, dezenas de exploradoras sacolejavam suas perninhas, algumas para uma das caixas, outras para as outras, e logo viam-se pequenas nuvens de abelhas em volta de todas as caixas.

O momento decisivo não ocorreu diante do agrupamento principal de abelhas, mas junto às caixas, para onde voaram as exploradoras. Assim que a quantidade de abelhas diante do buraco de uma caixa chegava a 15 - um limite confirmado por outros experimentos -, elas se davam conta de que o quórum mínimo havia sido alcançado, e voltavam para o enxame principal com a novidade. "Era uma corrida", diz Seeley. "Qual local seria o primeiro a atrair 15 abelhas?"

As exploradoras vindas da caixa escolhida então dispersavam-se pelo enxame, avisando que era hora de mudança. Assim que se aqueceram, todas as abelhas decolaram juntas para o novo lar - exatamente a melhor das cinco caixas.As regras usadas pelas abelhas para chegar a uma decisão - buscar várias opções, estimular a livre competição entre as idéias e recorrer a um mecanismo eficaz para restringir as escolhas - deixaram Seeley tão impressionado que agora ele as aplica no departamento que chefia na Universidade Cornell. "Usei o que havia aprendido para conduzir as reuniões do departamento", conta ele. A fim de não chegar a uma reunião já com uma opinião formada, ouvir apenas o que a confirmava e pressionar os outros para que a adotassem, Seeley solicita ao grupo que identifique todas as possibilidades, que troquem idéias durante algum tempo e, em seguida, façam uma votação secreta. "Isso é exatamente o que fazem as abelhas do enxame, proporcionando ao grupo um tempo para que surjam as melhores idéias."

Na verdade, quase todo grupo que seguir as regras das abelhas vai-se tornar mais inteligente, argumenta James Surowiecki, autor do livro A Sabedoria das Multidões. Investidores no mercado de ações e cientistas em um projeto de pesquisa podem ser grupos inteligentes, diz ele, sempre que seus membros sejam diversificados, com opiniões próprias e recorrerem a algum mecanismo - uma votação, um leilão, um rateio - para chegar a uma decisão coletiva.

Um exemplo são os apostadores em corridas de cavalos. Por que eles são tão bons para prever o resultado de um páreo? No momento em que os cavalos dão a largada, as cotações exibidas no painel de apostas mútuas - calculadas sobre a média de todas as apostas feitas - quase sempre antecipam o resultado: os cavalos mais apostados normalmente chegam na frente, aqueles com vantagem imediatamente inferior terminam o páreo em segundo lugar, e assim por diante. O motivo disso, segundo Surowiecki, é que o sistema de apostas mútuas é um mecanismo quase perfeito para aproveitar a sabedoria da multidão.

"Quem já foi a uma corrida sabe que ali encontra um grupo muito diversificado, fanáticos que passam o dia perscrutando as listas diárias de páreos, gente que sabe algo a respeito de alguns tipos de cavalo, e outros que apostam de maneira aleatória, como a mulher que gosta apenas de cavalos pretos", diz ele. Tal como as abelhas empenhadas em tomar uma decisão, os apostadores reúnem todos os tipos de informação, discordam uns dos outros e distilam o juízo coletivo ao fazerem suas apostas.

Por isso é raro ganhar com apostas em azarões.

Em um parque ao lado da Casa Branca, em Washington, D.C., costumam-se observar pombos revoluteando sobre o tráfego. Cedo ou tarde, as aves descansam nos beirais dos edifícios em volta do parque. Aí ocorre algo que os lança de novo em acrobacias aéreas sincronizadas.Essas aves não têm um líder. Nenhum pombo diz aos outros o que fazer. Em vez disso, eles prestam muita atenção nos pombos vizinhos, cada qual seguindo regras simples à medida que circulam pelo céu. Essas regras constituem outro tipo de inteligência de enxame - um tipo que tem menos a ver com a tomada de decisões do que com a coordenação precisa de movimentos.

Craig Reynolds, um pesquisador na área de computação gráfica, ficou muito interessado em conhecer tais regras. Por isso, em 1986, criou um programa, enganosamente simples, de manipulação de objetos chamados passaróides (boids). Nessa simulação, esses objetos genéricos, similares a aves, receberam cada qual três instruções: 1) evite empurrar os passaróides vizinhos, 2) voe na direção geral dos passaróides próximos, e 3) mantenha-se junto aos passaróides próximos. O resultado, quando visualizado em uma tela de computador, foi uma simulação convincente do comportamento de um bando de aves, incluindo movimentos verossímeis e imprevistos.

Na época, Reynolds pesquisava maneiras de representar animais de forma realista em programas de TV e filmes. (Batman - O Retorno, de 1992, usou essa abordagem para mostrar um enxame de morcegos e um exército de pingüins.) Ao demonstrar a capacidade de modelos auto-organizados mimetizar o comportamento de enxames, Reynolds também abria caminho para os engenheiros especializados em robótica. Um grupo de robôs capaz de coordenar suas ações como um bando de aves poderia apresentar vantagens significativas em relação a um robô isolado. Distribuído por uma grande área, tal grupo poderia funcionar como uma potente rede de sensores móveis, coletando informações ao longo de um âmbito extenso. Se o grupo encontrasse algo inesperado, poderia fazer ajustes e reagir com rapidez, mesmo se cada robô individualmente não fosse muito sofisticado, do mesmo modo como as formigas são capazes de explorar várias opções por tentativa e erro. Se um membro do grupo apresentasse algum defeito, outros poderiam tomar seu lugar. E, o mais importante, o controle de todo o grupo seria descentralizado.

Já em Bruxelas, na Bélgica, a equipe do cientista Marco Dorigo vem conduzindo um projeto europeu para a criação de um "enxaminóide", um grupo de robôs interconectados com habilidades complementares: "robôs-pés", que arrastam coisas pelo chão; "robôs-mãos", que escalam paredes e manipulam objetos; e "robôs-olhos", que sobrevoam a área e transmitem informações para as outras unidades.

Os militares estão muito interessados nesses projetos. Em 20 de janeiro de 2004, pesquisadores soltaram um enxame de 66 pequenos robôs em um prédio de escritórios desocupado em Fort A. P. Hill, um centro de treinamento militar próximo a Fredericksburg, na Virgínia. O objetivo: encontrar alvos ocultos no edifício.

Deslizando pela entrada principal, os robôs, medindo cerca de 30 centímetros, giraram para um lado e para o outro com suas três rodas, e mais pareciam insetos gigantes. Cada unidade dispunha de oito sensores, que evitavam as colisões com as paredes e os demais robôs. À medida que o grupo se dispersava, vasculhando uma sala após a outra, cada robô buscava determinados objetos por meio de uma pequena câmera, como as usadas em computadores. Quando um robô topava com outro, eles trocavam informações por meio de uma rede sem fio: "Já explorei essa parte do prédio. Pode olhar no outro lado."No fundo de uma das salas, um robô identificou algo suspeito: uma bola rosada em um armário aberto (o enxame havia sido treinado para localizar tudo o que fosse cor-de-rosa). O robô enviou uma imagem para seu supervisor humano. Logo vários outros robôs aproximaram-se e formaram um círculo em torno do intruso rosado. Em apenas meia hora, todos os seis objetos escondidos foram achados. A equipe responsável pelo experimento o considerou um sucesso.

A demonstração fazia parte do projeto Centibots, uma investigação para saber se um grupo de até uma centena de robôs poderia ser útil em missões militares. Se isso for viável, equipes de robôs poderiam um dia ser enviadas a um povoado hostil para eliminar terroristas ou localizar reféns, a um edifício destruído por terremoto em busca de vítimas ou ao longo de fronteiras, para identificar invasores.

Na natureza, os animais deslocam-se em grupos numerosos. Enquanto membros de um grupo grande, como um bando, um cardume ou uma manada, cada indivíduo aumenta suas chances de detectar predadores, encontrar comida, achar um parceiro ou seguir uma rota de migração. Para esses animais, coordenar seus movimentos uns com os outros pode ser uma questão de vida e morte.

Quando um predador ataca um cardume, os peixes são capazes de se dispersar seguindo padrões que tornam quase impossível a perseguição de qualquer peixe individual.

Em terra, os animais em grupo agem de modo similar, como observou em 2003 o biólogo Karsten Heuer, quando ele e sua mulher, Leanne Allison, acompanharam uma imensa manada de renas durante cinco meses. Percorrendo mais de 1,5 mil quilômetros com os animais, o casal documentou a migração desde o hábitat de inverno no Território do Yukon, no norte do Canadá, até as áreas em que nascem os filhotes no Refúgio Nacional da Fauna Selvagem do Ártico, no Alasca. "Quando a manada se movia, era como uma multidão de dominós tombando ao mesmo tempo e mudando de direção", explica o biólogo. "Era como se cada animal soubesse o que seu vizinho iria fazer, assim como o vizinho deste, e assim por diante. Não havia antecipação ou reação. Não havia causa e efeito. Apenas acontecia."

Certo dia, quando a manada afunilou para atravessar uma estreita passagem junto à linha das árvores, Karsten e Leanne notaram a aproximação de um lobo. A manada reagiu com uma clássica estratégia defensiva de enxame. "Assim que o lobo chegou a certa distância das renas, a manada ficou em alerta máximo", diz Karsten. "Todos os animais ficaram parados, vigilantes e atentos." Quando se aproximou mais 100 metros, o lobo ultrapassou outro limiar. "A rena mais próxima dele virou-se e saiu em disparada, e essa reação percorreu toda a manada como uma onda, fazendo com que todos os animais corressem. Os tempos das reações criaram outros efeitos. Os animais mais próximos ao lobo, na parte de trás da manada, davam a impressão de um tapete desfiando-se - o que, do ponto de vista do lobo, deve ter sido extremamente confuso." O lobo perseguia uma rena após a outra, perdendo terreno a cada mudança de alvo. No fim, a manada escapou no horizonte, enquanto o lobo ofegava e engolia neve.As manobras evasivas da manada não revelaram pânico, e sim precisão. Cada rena sabia o momento de correr e a direção a tomar, mesmo que não soubesse exatamente o motivo. Não havia um líder. Cada animal apenas seguia regras simples aperfeiçoadas ao longo de milhares de anos sofrendo ataques de lobos.

Esse é o atrativo maravilhoso da inteligência de enxame. Quer falemos a respeito de formigas, abelhas, pombos ou renas, os elementos do comportamento inteligente de grupo - controle descentralizado, reação a indícios locais, regras práticas - acabam por formar uma eficiente estratégia para se lidar com situações complexas.

"Nem sequer sabemos tudo o que podemos fazer com isso", diz Eric Bonabeau, cientista-chefe da Icosystem Corporation, em Cambridge, Massachusetts. "Não estamos acostumados a resolver problemas descentralizados de maneira também descentralizada. Não é possível controlar o aumento de tráfego instalando placas e sinais por todos os lados. Por outro lado, a idéia de fazer com que o tráfego seja um sistema que organiza a si mesmo é algo muito animador."

Grupos sociais e políticos já adotaram táticas rudimentares de enxame. Há oito anos, durante os protestos em massa em Seattle, os militantes antiglobalização usaram celulares para difundir informações a respeito da movimentação da polícia, transformando uma multidão descontrolada em uma "massa inteligente", capaz de dispersar-se e reunir-se como um cardume de peixes.

As mudanças mais importantes talvez estejam ocorrendo na internet. Um exemplo é a maneira como o Google usa a inteligência de grupo para encontrar o que procuramos. Quando digitamos algo na página do Google, o motor de busca vasculha bilhões de páginas da web nos índices de seus servidores a fim de localizar as mais pertinentes. Em seguida, ele as classifica de acordo com a quantidade de outras páginas que estão vinculadas a elas, considerando tais remissões como se fossem votos (os sites mais populares recebem votos especiais, pois provavelmente sua confiabilidade é maior.) As páginas que recebem mais votos são listadas em primeiro lugar nos resultados da busca. Dessa maneira, segundo o Google, "a inteligência coletiva da web é usada para determinar a importância da página".

A Wikipedia, a enciclopédia colaborativa de livre acesso, também se revelou um enorme sucesso, exibindo milhões de artigos em mais de 200 línguas que tratam de todos os temas possíveis, e cada qual pode ser editado por qualquer pessoa. "Agora é possível que uma enorme quantidade de gente pense conjuntamente de maneiras que jamais poderíamos imaginar poucas décadas atrás", diz Thomas Malone, do novo Centro de Inteligência Coletiva do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês). Tais idéias ressaltam uma importante verdade a respeito da inteligência coletiva: as multidões tendem a ser sábias apenas quando seus membros individuais agem com responsabilidade e tomam suas próprias decisões. Não há grupo inteligente se seus membros apenas imitam uns aos outros ou esperam que alguém lhes diga o que fazer. Quando um grupo se mostra inteligente, seja ele composto de formigas ou de advogados, é preciso que cada membro cumpra com sua parte. Para aqueles de nós que às vezes se perguntam se de fato vale a pena reciclar aquela garrafa para amenizar o impacto sobre o ambiente, o pressuposto básico é que nossos atos fazem diferença, mesmo que isso não esteja tão claro para nós.

Vamos imaginar uma abelha movendo-se no interior da colmeia. Se esta for atingida por um vento gelado, a abelha tremerá a fim de aquecer-se e, com isso, ajudar a aquecer os filhotes ao seu lado. Ela não sabe que centenas de operárias em outras partes da colmeia fazem a mesma coisa, naquele exato instante, em benefício da próxima geração. "Assim como você e eu, uma abelha nunca tem idéia do quadro mais amplo", diz Thomas Seeley, o especialista em abelhas. "Nenhum de nós sabe o que a sociedade como um todo necessita, mas olhamos ao redor e notamos: estão precisando de um voluntário na escola, ou no asilo de idosos, ou em uma campanha política."

Se você quer um modelo de comportamento solidário em um mundo complexo, poderia começar olhando o que fazem as abelhas.

Por: Peter Miller Matéria publicada na revista National Geographic Ed. 88 - 01/07/2007
http://nationalgeographic.abril.ig.com.br/ng/edicoes/88/reportagens/mt_239989.shtml