Python Decorators - Argumentos

quinta-feira, 29 de outubro de 2009, 19:25 Eduardo Rolim 3 Comentários

Bom dia leitores!

Hoje estou dando continuidade ao post da semana passada, sobre Decorators em Python. Agradeço à todos que demonstraram interesse em saber mais sobre esse recurso da linguagem, que só agora está se tornando mais popular. Agradeço também àqueles que enviaram dúvidas por e-mail e peço que as envie nos comentários do blog, pois sua dúvida pode ser a dúvida de alguém.

Como falei na semana passada, decoradores de função não são nada mais do que funções que recebem outras funções como parâmetro e retornam um objeto (também do tipo função) que possui as características tanto da função original quanto da decoradora.

No entanto, no post passado trabalhamos somente com decoradores e funções sem argumentos. Assim eu fiz pois achei que ficaria mais fácil aprender como funcionam os decoradores se separasse o conceito de suas especialidades.

No post de hoje, trataremos de dois casos específicos de argumentos: Os argumentos da função original e argumentos da função decoradora.

Python Decorators - Argumentos



Eu não poderia falar sobre argumentos de funções e decoradores sem falar na flexibilidade com que o Python lida com o formato de argumentos. Existem três formas de se passar parâmetros em uma função em python:

1 - Lista estática de argumentos: def func(a, b, c, x=10)
2 - Lista dinâmica de argumentos: def func(*args)
3 - Lista dinâmica de argumentos-chave: def func(**kwargs)

Como acredito que todos vocês saibam, cada um desses métodos nos permite acessar a lista de parâmetros de uma maneira única. Vejamos:

def func(a, b, c)

Nesse primeiro caso, nossa função contém uma lista estática de parâmetros, resolvidos na ordem em que aparecem. Por ser uma lista estática, devemos sempre usar todos os parâmetros para que nossa função possa ser validada corretamente.

def func(*args)

Agora a coisa começa a ficar interessante. Nesse exemplo, nós temos uma lista dinâmica de argumentos, o que significa que não estamos limitados a usar uma quantidade definida de argumentos. Podemos usar a quantidade que acharmos interessante. Os argumentos informados são armazenados sob a forma de um objeto lista, nomeado nesse caso como args. Exemplo:

>>> def somatudo(*args):
...   retorno = 0
...   for x in args:
...     retorno += x
...   return retorno
... 
>>> somatudo(10, 20, 30)
60

def func(**kwargs)

Uma outra forma de informar dinamicamente argumentos para nossa função é através de argumentos-chave. A diferença desde para o anterior se dá pelo uso de um dicionário no lugar de uma lista. Exemplo:

>>> def listak(**kwargs):
...   for x in kargs:
...     print '{0}: {1}'.format(x, kwargs[x])
... 
>>> listak(x=10, y=50)
y: 50
x: 10

É perfeitamente possível mesclarmos os três tipos de chamadas, mesclando argumentos estáticos com dinâmicos. No entanto, não pretendo me estender neste assunto, que com certeza renderia um ótimo post sobre funções. Se quiser saber mais, veja no artigo Python 101 - Introducion to Python

Bom, qual o objetivo disso afinal? Já irei explicar ...

Tratando os argumentos da função decorada

Se você se lembram bem, nosso decorador da função anterior funciona perfeitamente para uma função sem parâmetros, certo? E se precisássemos passar o mesmo decorador para uma função que recebe parâmetros?

>>> class entrada_saida(object):
...   def __init__(self, f):
...     self.f = f
...   def __call__(self):
...     print "Entrando em {0}".format(self.f.__name__)
...     self.f()
...     print "Saindo de {0}".format(self.f.__name__)
...
>>> @entrada_saida
... def func1():
...   print "Função 1"
>>> @entrada_saida
... def func2(a, b):
...   print "Função 1"
...   return a+b

Na hora da criação, não teríamos nenhum problema. Na verdade, o decorator decora a função sem levantar nenhum aviso. O problema ocorre quando vamos chamar nossa função com argumentos:

>>> func2(2, 3)
Traceback (most recent call last):
File "", line 1, in 
TypeError: __call__() takes exactly 1 argument (3 given)

Se você notar, o erro ocorre lá na chamada do método __call__() da classe decoradora entrada_saida. Isso ocorre porque a __call__ não possui essa quantidade de argumentos. Ela só espera o atributo self, explícito em sua chamada. Isso é fácilmente resolvido se nós usarmos argumentos dinâmicos.

Relembrando o pequeno tutorial de argumentos, anteriormente, para que nosso decorador funcione com os argumentos da função que ele está decorando, vamos usar lista dinâmica de argumentos. Nossa classe ficará então, assim:

>>> class entrada_saida(object):
...   def __init__(self, f):
...     self.f = f
...   def __call__(self, *args):
...     print "Entrando em {0}".format(self.f.__name__)
...     self.f(*args)
...     print "Saindo de {0}".format(self.f.__name__)

Agora nossa função recebe corretamente os argumentos que forem informados. Veja que tudo o que estamos fazendo é manipular o modo como a função decorada funciona. Se precisarmos pegar o retorno da função, devemos tratar isso também. Argumentos chaves, se necessários, também devem ser tratados na função.

Uma implementação que levasse em conta estes casos poderia ser feita da seguinte forma:

>>> class entrada_saida(object):
...   def __init__(self, f):
...     self.f = f
...   def __call__(self, *args, **kwargs):
...     print "Entrando em {0}".format(self.f.__name__)
...     retorno = self.f(*args, **kwargs)
...     print "Saindo de {0}".format(self.f.__name__)
...     return retorno

Se você testar esta classe agora, verá que ela funciona para qualquer tipo de função que você queira decorar. Usando uma função para decorar, nosso código ficaria assim:

>>> def entrada_saida(f):
...   def novo_f(*args, **kwargs):
...     print "Entrando em {0}".format(f.__name__)
...     retorno = f(*args, **kwargs)
...     print "Saindo de {0}".format(f.__name__)
...     return retorno
...   return novo_f

Decoradores com parâmetros

Nós vimos até agora como fazer para passar parâmetros para a função decorada. Agora, vamos ver algo para complementar e finalizar nosso estudo sobre decoradores: passagem de parâmetros para a função decoradora.

Como vimos em todos os exemplos, um decorador recebe como parâmetro uma função a ser decorada. No entanto, isso não nos impede que possamos passar outros parâmetros para a função decoradora. Vamos ano nosso exemplo:

>>> class entrada_saida(object):
...   def __init__(self, f, a):
...     self.a = a
...     print "Argumento a: {0}".format(self.a)
...     self.f = f
...   def __call__(self, *args, **kwargs):
...     print "Argumento a: {0}".format(self.a)
...     print "Entrando em {0}".format(self.f.__name__)
...     retorno = self.f(*args, **kwargs)
...     print "Saindo de {0}".format(self.f.__name__)
...     return retorno
... 
>>> @entrada_saida(a=1)
... def x(a, b): return a+b
... 
Traceback (most recent call last):
File "", line 1, in 
TypeError: __init__() takes exactly 3 non-keyword arguments (1 given)
>>> @entrada_saida(1)
... def x(a, b): return a+b
... 
Traceback (most recent call last):
File "", line 1, in 
TypeError: __init__() takes exactly 3 arguments (2 given)

Infelismente, como você pode ver, a tática de declarar uma variável na lista de argumentos de __init__() não funciona. Isso porque, quando é necessário passar argumentos para a função decoradora, seu funcionamento se altera.

A questão é que, quando a função decoradora precisa receber argumentos, a função a ser decorada não é passada entre a lista de parâmetros. Pos isso, esta abordagem não funciona. O que acontece é que neste caso, havendo argumentos a serem passados para o decorador, o método __call__() é que é chamado para fazer o papel de decorador da função.

>>> class decorador_params(object):
...   def __init__(self, arg1):
...     print "Dentro de __init__()"
...     self.arg1 = arg1
...   def __call__(self, f):
...     print "Dentro de __call__()"
...     def funcao_decoradora(*args, **kwargs):
...       print "Dentro da função funcao_decoradora()"
...       print "Argumento da declaração do Decorador: {0}".format(self.arg1)
...       retorno = f(*args, **kwargs)
...       print "fim de f(*args, **kwargs)"
...       return retorno
...     return funcao_decoradora
... 
>>> @decorador_params("teste")
... def soma(a, b): return a+b
... 
Dentro de __init__()
Dentro de __call__()
>>> soma(2, 3)
Dentro da função funcao_decoradora()
Argumento da declaração do Decorador: teste
fim de f(*args, **kwargs)
5
>>> soma(2, 5)
Dentro da função funcao_decoradora()
Argumento da declaração do Decorador: teste
fim de f(*args, **kwargs)
7

Se você olhar atentamente, na hora da criação do decorador, verá que primeiro o decorador é criado, com os parâmetros e depois, na sua invocação (chamada ao método __call__) a função é passada. Isso é equivalente, no modo antigo, a fazer:

temp = decorate(message)
f = temp(f)

Como você pode ver, apesar de o decorador em si ser diferente só na questão de ter um parâmetro, no fundo as diferenças no funcionamento do decorador são grandes.

Isso pode ser um pouco confuso quando você não está acostumado a pensar dessa forma, principalmente com essa abordagem usando classes. Neste caso, uma abordagem baseada em uma função decoradora é melhor, e você pode então vislumbrar a divisão de cada uma das etapas:

>>> def decorador_func_params(arg1):
...   print "Dentro de decorador_func_params"
...   def func(f):
...     print "Dentro de func"
...     def func_params(*args, **kwargs):
...       print "Dentro de func_params. Argumento: {0}".format(arg1)
...       retorno = f(*args, **kwargs)
...       return retorno
...     return func_params
...   return func
... 
>>> @decorador_func_params("teste")
... def soma(a, b): return a+b
... 
Dentro de decorador_func_params
Dentro de func
>>> soma(2, 3)
Dentro de func_params. Argumento: teste
5

Uma coisa interessante: Não sei se vocês notaram, mas a função decorador_func_params() retorna func(), que por sua vez retorna a função func_params(). Isso acontece porque, durante o processo de decoração, a primeira função guarda os argumentos do decorador, a segunda a função a ser decorada e por último os argumentos a serem passados para a função. Por isso os três níveis. Uma outra maneira de se fazer isso, usando lambda, pode ser vista à seguir:

decorador_lambda = lambda decorador: lambda *args, **kwargs: lambda func: decorador(func, *args, **kwargs)

Bom, é isso. Acho que já dei muito assunto pra vocês estudarem, não foi? Agora vocês entenderam o porque de eu ter separado o tratamento de argumentos do primeiro post? Não que seja difícil entender isto, mas são duas estruturas com funcionamento diferente, sendo usadas para fazer o "açúcar sintático" que muitos dizem ser o recurso.

Espero que tenham gostado dos posts. Até a próxima postagem.

Fontes:

PEP 318
Python Decorators Don't Have to be (that) Scary
Charming Python: Decorators make magic Easy
@decorators
Python Decorator Library
Python Decorators Syntatic Sugar

>>> import this
The Zen of Python, by Tim Peters

Beautiful is better than ugly.
Explicit is better than implicit.
Simple is better than complex.
Complex is better than complicated.
Flat is better than nested.
Sparse is better than dense.
Readability counts.
Special cases aren't special enough to break the rules.
Although practicality beats purity.
Errors should never pass silently.
Unless explicitly silenced.
In the face of ambiguity, refuse the temptation to guess.
There should be one-- and preferably only one --obvious way to do it.
Although that way may not be obvious at first unless you're Dutch.
Now is better than never.
Although never is often better than *right* now.
If the implementation is hard to explain, it's a bad idea.
If the implementation is easy to explain, it may be a good idea.
Namespaces are one honking great idea -- let's do more of those!

3 Comentários:

Todos os comentários serão moderados (lidos e avaliados) antes de serem postados. Não serão tolerados comentários que:

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- Declarem ou incentivem o racismo ou qualquer tipo de preconceito.
- Possuam links de comércio eletrônico, conteúdo adulto ou divulgação de qualquer site.

Sua opinião é sempre bem vinda e dúvidas serão esclarecidas na medida do possível. :)

Python Decorators - Uma Introdução

sábado, 24 de outubro de 2009, 12:41 Eduardo Rolim 3 Comentários

Durante meu aprendizado em Python, um dos grandes pontos que sempre tive dificuldade de entender era o uso dos tais decoradores de função. Muitos tentaram me explicar, li vários textos mas só entendi realmente quando vi uma aplicação que efetivamente usava os tais decoradores para resolver alguns problemas.

Em vista dessa dificuldade natural de se entender como funcionam essas estruturas dentro do Python, me dispus a escrever este post explicando de uma forma fácil como funciona este recurso de linguagem.

Decorators - Uma introdução



Antes de mais nada, os decoradores em Python são bem diferentes do padrão de projeto chamado Decorator. Você pode, no entanto, usar decoradores para implementar o padrão de projeto. O recurso de decoradores do Python pode ser melhor entendido quando comparado com uma macro, como o pré-processador de texto do C.

O que são Macros?

De uma forma geral, uma macro é uma forma de se poder alterar elementos da linguagem. Um exemplo em C:

#define max(A,B) ( (A) > (B) ? (A):(B))

Se utilizarmos isso no código:

x = max(q+r,s+t);

O pré-processador transformará na seguinte expressão:

x = ( (q+r) > (r+s) ? (q+r) : (s+t));

Como você pode ver, ele simplesmente substitui o nome da macro pela sua definição, o que pode ser usado como uma ferramenta para diminuir a quantidade de código redundante, mas ainda não é bem o que o Python faz. O Python faz mais além disso.

Então, o que os decoradores fazem em Python? Eles modificam as funções e, no caso de decoradores de classes, modificam uma classe inteira.

O que fazer com Decorators?

Como citado antes, decoradores modificam funções, alterando ou injetando código nas mesmas. Isso pode soar bastante parecido com programação orientada à aspectos em Java. No entanto, ao contrário do Java, a implementação de decoradores é muito mais simples e mais poderosa que a citada. Por exemplo, suponhamos que você quer fazer algo quando o escopo de execução entra e sai de uma função (por exemplo, verificar segurança, fazer log de chamadas, etc). Com decoradores, isso ficaria da seguinte forma:

@entrada_saida
def func1():
    print "Dentro da função 1."

@entrada_saida
def func2():
    print "Dentro da função 2."

O @ no nosso caso, indica que estamos tratando de um decorador a ser aplicado nas funções func1() e func2().

Decoradores de Funções

Um decorador de função é aplicado à uma definição de função colocando-se o decorador na linha anterior ao da definição da função. Exemplo:

@meu_decorador
def minha_funcao():
    print "Dentro da função minha_funcao()"

Quando o compilador passa sobre essa parte do código, minha_funcao() é compilada e o objeto função resultante é passado para o @meu_decorador, que fará algo para produzir um objeto do tipo função que então substituirá a função original minha_funcao().

Com o que esse @meu_decorador pode se parecer? Bom, os vários exemplos disponíveis por aí na internet costumam usar uma função como decorador, mas essa não é uma forma interessante de se olhar para os decoradores, principalmente quando não temos a idéia de que tudo em Python são objetos, inclusive funções.

Em nosso caso, para facilitar o entendimento, vamos criar uma classe para criar nosso decorador. Os motivos para fazer isso é que podemos construir algo mais poderoso usando uma classe que uma função. Outro para usarmos uma classe é que podemos simular seu uso como uma função, implementando o método __call__(), método que é chamado no caso de invocarmos nossa classe como um método. Então, qualquer classe que venhamos a usar como decoradores, devem implementar essa função.

Bem, o que nosso decorador fará? Bem, ele pode fazer qualquer coisa, no entanto esperamos que em algum ponto da sua execução, o código da função original deverá ser usado. No entanto, isso não é uma exigência. Vamos ao exemplo:

class meu_decorador(object):

    def __init__(self, f):
        print "Chamada de dentro da função meu_decorador.__init__()"
        f()

    def __call__(self):
        print "Chamada de dentro da função meu_decorador.__call__()"

@meu_decorador
def minha_funcao():
    print "Chamada de dentro da função minha_funcao()"

minha_funcao()

Quando você rodar este código, você verá a seguinte saída:

>>> class meu_decorador(object):
...   def __init__(self, f):
...     print "Chamada de dentro da função meu_decorador.__init__()"
...     f()
...   def __call__(self):
...     print "Chamada de dentro da função meu_decorador.__call__()"
... 
>>> @meu_decorador
... def minha_funcao():
...   print "Chamada de dentro da função minha_funcao()"
... 
Chamada de dentro da função meu_decorador.__init__()
Chamada de dentro da função minha_funcao()
>>> minha_funcao()
Chamada de dentro da função meu_decorador.__call__()
>>> 

Note que o construtor para o decorador é executado no momento em que a função será decorada. Tanto é verdade que podemos chamar a função de dentro do método __init__(), demonstrando que a função encontra-se criada no momento que ela vai ser decorada com a classe.

Normalmente, você captura a função no construtor para utilizarmos posteriormente dentro do método __call__(). De fato, a decoração e a execução do método __call__() são duas fases distintas do decorador. Por isso é muito mais fácil enxergar isso usando classes, e permite criar estruturas mais poderosas.

Continuando, quando a função minha_funcao() é chamada após ter sido decorada, nós temos então um comportamento completamente diferente: o método meu_decorador.__call__() é chamado no lugar do código original. Isso acontece porque o ato de se decorar uma função substitui a função original com o resultado da decoração: em nosso caso, meu_decorador() substitui minha_funcao().

Isso pode não parecer muito claro, mas anteriormente à introdução dos decoradores, para se conseguir algo análogo a isto, precisávamos, por exemplo, passar nossas funções como parâmetros para a função que irá servir de decorador, como no exemplo a seguir:

def bogus(): pass
bogus = staticmethod(bogus)

Com a adição do operador @, ficou um pouco mais fácil:


@staticmethod
def bogus(): pass


Esse é o grande motivo pelo qual algumas pessoas reclamam dos decoradores. Porque, no final, não é nada mais do que um açúcar sintático, que significa: "passe o objeto função para outra função e substitua o resultado no lugar da função original".

O poder atrás dos decoradores

Voltemos ao nosso primeiro exemplo. Inicialmente tinhamos comentado que queríamos saber o momento exato em que a execução entra e sai do escopo de nossa função, não é mesmo? Com a explicação, fica um pouco mais fácil perceber o que fazer, não é mesmo? Vamos ao código resultante, então:

class entrada_saida(object):

    def __init__(self, f):
        self.f = f

    def __call__(self):
        print "Entrando em {0}".format(self.f.__name__)
        self.f()
        print "Saindo de {0}".format(self.f.__name__)

@entrada_saida
def func1():
    print "Função 1"

@entrada_saida
def func2():
    print "Função 2"

func1()
func2()


A saída resultante, você vê aki:

>>> class entrada_saida(object):
...   def __init__(self, f):
...     self.f = f
...   def __call__(self):
...     print "Entrando em {0}".format(self.f.__name__)
...     self.f()
...     print "Saindo de {0}".format(self.f.__name__)
... 
>>> @entrada_saida
... def func1():
...   print "Função 1"
... 
>>> @entrada_saida
... def func2():
...   print "Função 2"
... 
>>> func1()
Entrando em func1
Função 1
Saindo de func1
>>> func2()
Entrando em func2
Função 2
Saindo de func2
>>> 

Você pode ver que as funções decoradas agora contém marcações de entrada e saída em torno da chamada da função. No nosso exemplo, usamos a propriedade __name__ para mostrar o nome da função armazenada em self.f que veio através do argumento do método __init__, e em seguida, executamos a função.

Usando funções como decoradores

A única restrição de um decorador é que o mesmo deve ser executável, ou em outras palavras, implementar o método __call__(). Isso nos permite, por exemplo, usar uma função como um decorador, que é o método mais visto em uso hoje, em eventuais códigos que você venha a encontrar na internet.

Voltando ao exemplo anterior, poderíamos implementar o mesmo decorador utilizando uma função, da seguinte maneira:

def entrada_saida(f):
def novo_f():
    print "Entrando em {0}".format(f.__name__)
    f()
    print "Saindo de {0}".format(f.__name__)
    return novo_f

@entrada_saida
def func1():
    print "Função 1"

@entrada_saida
def func2():
    print "Função 2"

func1()
func2()

novo_f() é definido dentro do corpo da função entrada_saida(), então ele é criado e então é retornado quando o decorador entrada_saida é chamado. Note que novo_f() é uma função única, porque ela utiliza o valor de f informado na hora que novo_f() foi criada.

Um detalhe interessante. Se você chamar func1.__name__, perceberá que o nome da função não é o da que você definiu e sim o da função interna do decorador. Se isso for algum problema, você pode redefinir o nome, alterando a função entrada_saida() para a seguinte forma:

def entrada_saida(f):
        def novo_f():
            print "Entrando em {0}".format(f.__name__)
            f()
            print "Saindo de {0}".format(f.__name__)
            novo_f.__name__ = f.__name__
            return novo_f

Está resolvido o problema do nome. No fundo a função é decorada, mas fora da definição, ninguém mais precisa saber que a função em questão é só um decorador para a função realmente definida abaixo dele.

Agora que você sabe o básico sobre decoradores, pode ler mais sobre decoradores no wiki do site oficial do Python. Note que em vários exemplos, são utilizadas classes no lugar de funções, por sua robustez de definição, melhor que uma função em vários casos.

Intencionalmente, não lidei com passagem de parâmetros nesse post pois tornaria muito extensa a leitura, e misturaria muitos conceitos em um só lugar. Então, tomei a decisão de falar sobre parâmetros de funções em um próximo (e quem sabe breve) post sobre esse assunto.

Espero ter alcançado com esse post o intento original de se explicar um pouco mais sobre o funcionamento básico dos decoradores em Python. No começo parece meio difícil entender, mas depois a coisa fica bem mais simples.

Fontes:

PEP 318
Charming Python: Decorators make magic Easy
@decorators
Python Decorator Library
Python Decorators Syntatic Sugar

import this
The Zen of Python, by Tim Peters

Beautiful is better than ugly.
Explicit is better than implicit.
Simple is better than complex.
Complex is better than complicated.
Flat is better than nested.
Sparse is better than dense.
Readability counts.
Special cases aren't special enough to break the rules.
Although practicality beats purity.
Errors should never pass silently.
Unless explicitly silenced.
In the face of ambiguity, refuse the temptation to guess.
There should be one-- and preferably only one --obvious way to do it.
Although that way may not be obvious at first unless you're Dutch.
Now is better than never.
Although never is often better than *right* now.
If the implementation is hard to explain, it's a bad idea.
If the implementation is easy to explain, it may be a good idea.
Namespaces are one honking great idea -- let's do more of those!

3 Comentários:

Todos os comentários serão moderados (lidos e avaliados) antes de serem postados. Não serão tolerados comentários que:

- Contenham ofensas pessoais ou difamação contra qualquer pessoa ou marca.
- Declarem ou incentivem o racismo ou qualquer tipo de preconceito.
- Possuam links de comércio eletrônico, conteúdo adulto ou divulgação de qualquer site.

Sua opinião é sempre bem vinda e dúvidas serão esclarecidas na medida do possível. :)

Casas Astrológicas

quinta-feira, 15 de outubro de 2009, 18:25 Eduardo Rolim 3 Comentários

As Casas Astrológicas são divisões da esfera celeste, projetadas a partir de um dado local na Terra.

Surgem do cruzamento entre os dois eixos principais: um horizontal Ascendente / Descendente) e outro vertical (Meio-do-Céu / Fundo-do-Céu). Estes eixos correspondem a projeções dos quatro pontos cardeais.

O Ascendente, ou Oriente, corresponde ao Nascente. Por oposição, o Descendente ou Ocidente corresponde ao Poente.

O Meio-do-Céu ou Sul e o Fundo-do-Céu corresponde ao Norte.


Uma regra simples define muito bem o nosso mapa natal:

* Os planetas mostram o que acontece
* Os signos mostram como acontece
* As casas mostram onde acontece


As Casas Astrológicas portanto, representam os vários setores da nossa vida. Como expressamos estes setores nos é revelado através dos signos e planetas contidos nas 12 Casas do nosso Mapa Natal.

As primeiras seis casas são individuais, começando pela casa I que é o início de tudo, nossos primeiros passos, nosso corpo físico, indo até a sexta casa que define nossos hábitos e a nossa relação com trabalho e saúde.

As seis últimas casas são coletivas, indo da nossa necessidade de relacionamentos e parcerias na sétima casa, passando pela consciência social da décima primeira casa até o nosso subconsciente, a casa doze!

Leia mais sobre signos em "Tudo sobre os Signos"




As casas Astrológicas

O sistema das doze Casas do Zodíaco é, como este, o resultado de uma evolução do pensamento astrológico.

Assim como houve tempos em que o Zodíaco não era constituído por doze signos (a Balança insere-se nele em data relativamente tardia), durante muito anos a única subdivisão do movimento diurno foi a dos quatro pontos angulares do Mapa Natal. Mais tarde percebeu-se que em cada ângulo se apresenta uma culminação precedida duma zona de nascente e seguida duma zona de poente, o que conduziu à versão de oito casas.

Deste sistema de oito casas passou-se ao sistema de doze de origem greco-egípcia. Esta formação resultou de um processo semelhante à do sistema caldaico do Zodíaco.

Relativamente à sua génese, vemos aparecer a simbólica da natureza vivida enquanto experiência anual da alma humana, respostas psicogenéticas da psique às estimulações cósmicas, segundo o processo inconsciente de “projeção” identificado por Jung.

Paralelamente a esta psicologia natural, articulou-se a mitologia estrelar, as alegorias e lendas dos deuses e heróis solares (Osíris, Héracles, Gilgamesch) nas suas viagens e aventuras através das doze estações eclíticas. Especulações filosóficas vieram completar esta bagagem zodiacal.

Assim como a alma humana foi impregnada do ritmo sazonal do Zodíaco, não deixou de sofrer a influência das variações quotidianas da marcha do Sol; os poetas não se privaram de evocar o alegre esbanjamento da manhã, a plenitude exaltante do meio-dia, a quietude do fim do dia e a calma da noite.

Paralelos bastante frutíferos, permitiram até, estabelecer relações precisas entre o círculo do movimento diurno e os Elementos, as estações e as idades da vida, sendo a manhã assimilada à infância, o meio-dia à maturidade e o cair da noite à velhice.

Seja como for, o sistema hermético das Casas repousa essencialmente na simbólica do desenrolar do dia, estando as doze Casas em correspondência com as doze horas duplas do dia babilónico, e, por conseguinte, em relação com o curso do Sol e as imagens da vida corrente, fruto dele. Além disso, as analogias precisas acima mencionadas permitem estabelecer uma equivalência simbólica entre o dia e o ano, ou seja, entre as doze horas babilónicas e os doze meses do calendário. Sendo o grau do Ascendente o começo do ciclo diurno, como o 0º do Carneiro para o ciclo anual, estabeleceram-se correspondências precisas entre a Casa I e o Carneiro, a Casa II e o Touro….a Casa XII e os Peixes.

Se podemos considerar que um fator astrológico é capaz de representar um elemento objetivo, diremos que o signo zodiacal é para a Casa que lhe corresponde o que uma disposição subjetiva é para uma realidade objetiva. Assim, o Touro é um signo oral que tem a ver com as tendências relacionadas com as aquisições e as posses… e a Casa II concerne as finanças, o dinheiro ganho, a fortuna.

As Casas são, em suma, os signos dum zodíaco terrestre, de modo que as suas significações mais não são do que uma “materialização” das tendências do zodíaco celeste.

As suas atribuições constituem, pois, o plano das condições da existência concreta, simbolizando cada Casa um domínio particular da nossa existência.

A configuração que se prende a cada casa define um modo particular de relação do ser com o domínio que a essa casa concerne; fixa, em suma, a atitude que o sujeito adota nesse domínio, e por conseguinte deixa entrever as consequências que daí podem advir.

Assim, a Casa II não diz se o sujeito fará fortuna ou não, e ainda menos a quanto se elevarão os seus bens; situa antes, o comportamento do sujeito perante questões económicas e, por conseguinte, mas muito relativamente, às suas possibilidades pecuniárias.

Apresentamos agora de forma sintética as atribuições das doze Casas:

CASA I: O mundo do Eu. O caráter do sujeito. O modo como se comporta perante os outros e em relação a si mesmo.

A primeira casa astrológica traz o sentimento básico do "eu existo" e o desejo de entrar na vida com o impulso de conquistar, com auto-afirmação e iniciativa. É aqui que podemos ler os símbolos relacionados à natureza da alma de uma pessoa, representados pelos planetas e pelo signo que estão nesta casa.

Tratando da sua identidade, a casa 1 está ligada ao "eu sou " e ao sentimento interno da existência. Ela representa a aventura que travamos em busca de nós mesmos e da nossa própria vida, no momento em que passamos a nos entender enquanto seres independentes.

Se a sua relação com você mesmo e a sua auto-estima não estiverem bem, por exemplo, o problema pode ser identificado em seu mapa astrológico dentro deste setor prático, através da posição de algum planeta ou de um aspeto vindo de outros setores da carta celeste. O trabalho da Astrologia é orientar em relação às formas de você aumentar os potenciais do seu temperamento, que estão simbolizados nesta casa, e superar as dificuldades. Como cada pessoa e única, a resposta para estas questões não pode ser generalizada.

CASA II: O mundo do ter; o dinheiro, a fortuna pessoal do sujeito e, em particular, o que é adquirido pelos seus próprios meios.

A casa II não se resume apenas a ganhos no sentido concreto e tangível, há muito mais a ser analisado. Nessa segunda etapa prática da vida, vamos construir nosso ganho, nossa segurança emocional. O Planeta que estiver ali, sinalizará a maneira com a qual vamos concretizar essa segurança.

Touro, o signo natural relacionado à Casa II, vai nos falar de como concretizar e objetivar a emoção, para assim, construirmos um patrimônio emocional, fazermos uma reserva, um estoque para os momentos de tempestades. Estamos falando da questão do apoio, da muleta, do abrigo em meio aos intempéries da vida.

O mundo é inseguro, um foco de tempestades. Encarnados neste planeta, sentimos sede, fome, sono. No físico, emocional, sentimos desgostos, tristeza e dor. Temos que nos abrigar! No caso do sono, um teto; no caso da sede, uma fonte de água.

Ao longo da vida vamos vendo o que pode ser feito, como podemos construir esse abrigo emocional, além do nosso abrigo físico, pois essa Casa é a da feitura emocional, nossa segurança em nível material. Precisamos nos abrigar para poder responder a tudo isso, mesmo que não se trate de uma riqueza, de uma opulência, mas de um mínimo onde ela teria que acontecer.

Às vezes, fazemos esforço emocional para ou por alguém. Pode ser que você tenha reservas suficientes e isso seja bom, mas se você sente uma fadiga emocional, então está gastando o que não tem. Não se deve fazer essa extravagância, pois mais tarde vai sentir falta. É hora de perceber o porquê de bancarmos "o bonzinho", o que estamos querendo ganhar com isso, que forma de "segurança" estamos construindo para nós mesmos, com esse tipo de comportamento.

CASA III: O mundo dos contatos imediatos, relações com os próximos; irmãos e irmãs, primos, vizinhos, colegas; relações estabelecidas por correspondência, pelo telefone; as vias de comunicação e as pequenas deslocações; relações do espírito: os estudos.

A energia do Ar é muito importante, corresponde à energia mental, do pensamento. As questões relativas ao ar se incluem na esfera da comunicação, dos relacionamentos, conhecimento, das idéias, da capacidade verbal, harmonia e da reconciliação entre os opostos. No mito, ele é Hermes e Mercúrio. É Hermafrodita, une os dois sexos em uma só energia, isto é, reúne partes que aparentemente estão separadas, mas que se complementam e se juntas, formam um Todo indivisível.

O primeiro contato com o elemento Ar nos leva a verificar a natureza de nossa comunicação, a aprendermos a nos integrar com as pessoas. Este será um tempo para nos dedicarmos a aprender mais sobre nós mesmos e aos contatos emocionais, que são os temas do Planeta Mercúrio.

Mercúrio é aquela energia que sentimos como a curiosidade, o interesse pelo aprendizado, o comércio, a oratória, enfim, toda essa energia que nos move para o "encontro" com o outro ou com os outros. Quanto mais cedo, melhor para aprendermos a observar o nosso movimento, o vai e vem que é peculiar àqueles que têm um Mercúrio em posição forte no Mapa e ficarmos atentos ao perigo de colisão que esta rapidez provoca, gerado por uma falta de sinalização. Essa energia de Mercúrio pode ser tão forte para alguns, fazendo até mesmo mudar de assunto durante uma conversa que o outro nem percebe e não entende mais nada. Ou, bons falantes, conversando horas sobre um assunto que acabaram de ouvir e nem sequer sabem do que se trata.

É importante verificar se nós estamos circulando ou atropelando, traumatizando. Vamos verificar com quem estamos falando, se estamos dando atenção ao que os outros falam. O que será que estamos derrubando nos outros? Será que não colocamos carga emocional demais? É através da observação que podemos tentar melhorar o contato.

Como é que eu faço o contato emocional? Que tipo de relação é gerada quando eu faço contato emocional com o outro, como eu estou equilibrando essa relação de ensinar e aprender, do ouvir e do falar, do viver. Essa relação tem que ser equilibrada, se fizer uma coisa a mais que a outra, desequilibra. Por isso, Gêmeos (regido por Mercúrio) é representado por duas colunas abraçadas e o mito conta a história de dois irmãos inseparáveis, Castor (mortal) e Pólux (imortal)*. Devemos estar atentos às duas situações comuns na energia mercurial: se é com muita força, com carinho, com criatividade ou com austeridade.

Entretanto, em termos de energia, mesmo sem saber especificamente qual a posição de Mercúrio em seu Mapa, você pode observar qual é a forma de circular e se comunicar, a maneira como você expressa esse planeta, como ele atua em você. É só observar que logo saberá. O objetivo do elemento ar e especificamente de Mercúrio é o da comunicação, do contato emocional. O que temos que observar é a forma como cada um entra em contato com as pessoas em nível de emoção. Com que carga emocional eu me aproximo das pessoas, de que forma eu me comunico melhor, que fator emocional interfere em minha qualidade de relacionamento? E como a Casa III (natural do signo de Gêmeos e do planeta Mercúrio) tem a ver com aprendizado, teremos que aprender e melhorar com essa circulação, porque não estamos sós em nível emocional.

CASA IV: O mundo familiar, os pais, a casa natal, e depois o domicílio pessoal; o lar. A estrutura interna da personalidade do sujeito.

O que deixa você em baixo astral? Você já parou para observar os seus altos e baixos? O que faz você mudar de humor? Qual a sua reserva emocional? O que lhe desencanta? Você é muito "desencantado" e está sempre confundindo as coisas? Já se perguntou o que realmente lhe encanta nessa vida? Essas observações fazem com que a gente se conheça melhor, fundamentando nossos sentimentos.

O setor do seu mapa do Céu que pode responder a estas perguntas é a Casa IV (leia sobre as casas astrológicas). Mesmo que você não tenha Mapa, não é difícil perceber, em seu cotidiano o que lhe faz perder a terra em nível emocional, o que lhe deixa em baixo astral, naquele mal estar que "fingimos" não saber o que é para não termos que encarar. E, principalmente, quando o assunto é família.

A Casa IV tem várias aplicações, além do psicológico, é a parte incontrolável dentro de nós mesmos. Normalmente as energias, mesmo conhecidas, são descontroladas, porque estão na Casa da meia noite e não recebem luz. Para entrar nesse reino, só através do sentir e do sonhar.

Observe como cuida de você mesmo: sente-se enraizado? Como se sente em relação à família? Raivoso, irado, magoado, carente? E o que você tem feito em relação a isso? Ou anda tão ocupado e preocupado com a carreira e os compromissos e passa a maior parte do tempo longe do lar? Às vezes estamos tão identificados com nossas atividades, com aquilo que vemos, que esquecemos de ver a nós mesmos, à nossa família.

A Casa IV representa aquele local que nós vamos quando estamos sozinhos, dentro de nós mesmos. Uma questão importante na casa IV é o ambiente em que vivemos. Que tipo de atmosfera criamos em nosso lar, o que atraimos para nós nesse ambiente, onde nos identificamos com ele. Essa ambientação só acontecerá realmente quando o "astral" estiver muito bom dentro da sua casa e ela for realmente um Lar, aqui significando família. A família é que torna possível essa ambientação, dentro desse plano se desenvolvem coisas que são necessárias, certas imagens fundamentais, por isso a família é muito importante no desenvolvimento de uma pessoa. Mesmo a pessoa estando independente, morando em outra cidade, haverá sempre alguma coisa para ser visto junto da família.

CASA V: O mundo criativo; recreações: festas, prazeres, amores, jogos, especulações; procriações: filhos, obras.

A Quinta Casa Astrológica, relacionada ao signo de Leão e ao elemento Fogo, é o setor prático da sua vida. Nela você pode descobrir como tem curtido os seus dias, como "gosta emocionalmente" e reage quando encontra algo com que tem afinidade. Determinadas coisas na sua vida são capazes de produzir com você uma relação na qual existe um mútuo reconhecimento, onde as duas naturezas se absorvem, se enchem, se plenificam.

Todas as questões do seu prazer e da alegria podem ser vistas na Casa V. A alegria é algo de grande importância em qualquer parte da vida a nível emocional, já que quando você realiza algo com ela, o resultado é muito superior ao alcançado se a situação fosse inversa. A técnica empregada para realizar aquela atividade é diferente, há diferença no objetivo e termina havendo uma diferença de conseqüência. Você pode fazer muito para se dar um pouquinho mais de alegria. Basta um pouquinho a mais de prazer para que novos caminhos sejam abertos, tornem-se mais livres, desimpedidos. Com alegria, as coisas se esquentam e despertam.

Quando entramos frios nas situações, as coisas também estão de alguma maneira um pouco congeladas. A alegria é a capacidade de tirá-las do gelo e fazer com que adquiram uma velocidade toda especial. São nestes momentos que temos a impressão de que aquilo tudo está sorrindo. Você sabe a partir de quê, as coisas estão sorrindo para você e estão lhe alegrando?

Antes de chegar a essa verdadeira alegria, você precisa pensar também como é que anda centralizando as coisas emocionalmente, como você é capaz de brilhar. Se você centraliza a sua força, por exemplo, que é a energia representada por Marte, aquilo vai oferecer um prazer lhe tornando um herói. Aqui estamos discutindo a questão fundamental do sorriso, da alegria e do prazer e isso não é uma coisa achada, é algo que temos que nos carregar para poder atingir. Temos que considerar que existe uma cota de alegria que acontece ao acaso, tudo bem, que seja bem vinda. Mas existe a cota que é do nosso caso, o que "eu" posso fazer. É a história da centralização, eu tenho que centralizar algo, pois com essa cota, eu vou ter chance de obter aquela alegria.

Quando algo está no centro, a possibilidade de cair e se perder é bem menor do que aquela que está na beiradinha. Então, como você está centralizando suas energias em prol de uma vida mais alegre e mais saudável? Você está sabendo colocar no centro essas energias? Você está se concentrando em determinadas coisas que são importantes para o seu sorriso? Nas coisas que você gosta, com as pessoas que gosta, com as situações que podem lhe dar prazer? Como você centraliza isso, será que deixa de investir o necessário, ou entra em excesso? Temos que ter uma medida para que essa energia seja impulsionada e permita que as coisas aconteçam com prazer. Todos os signos de Fogo impulsionam: Aries, o primeiro, impulsiona pela própria natureza; o segundo de Fogo, Leão, impulsiona pelo prazer e Sagitário, o terceiro de Fogo, pela sabedoria. Os signos de Fogo são energias que arrastam e entusiasmam.

CASA VI: O mundo doméstico; os cuidados com a saúde, a obrigação do trabalho, a prestação de serviços; as relações com os subalternos e os animais.

A sexta casa do zodíaco, regida por Ceres, é a limpeza e a saúde. Todas as sujeiras acumuladas em relação ao seu comportamento, seus ganhos, estudos, família e prazeres são "varridas" para a Casa VI, onde serão eliminadas. Como analogia, pode-se dizer que a casa VI é o "intestino" do mapa. Tudo na vida necessita de organização e reciclagem para que se consiga resultados práticos.

Enquanto na Casa IV descobrimos nossa discreta identidade, na V nos revelamos, na VI temos uma relação direta com trabalho e a saúde. É nela que descrevemos nossa atitude em situações que comandamos ou que somos comandados. É nesse setor que escolhemos um trabalho para ser feito de maneira sincera e metódica, que funciona como um meio de cura para o egocentrismo e o egoísmo presente em nós.

A escolha do método a ser empregado é de extrema importância, para que os objetivos sejam alcançados de uma maneira mais consistente, rápida e integral. A ordenação dos procedimentos é algo predisposto na natureza.

Esta procura de uma metodologia para o trabalho também deve existir em relação ao emocional. Temos que aprender a botar para fora tudo o que não nos serve emocionalmente, da mesma forma que fazemos no sentido fisiológico. Saber se livrar deste dejetos é fundamental para uma melhor saúde.

No zodíaco, as casas práticas são a II, a VI e a X. Elas determinam a importância do uso de um método para a resolução de problemas imediatos. A Casa VI, especificamente, trata das coisas práticas que podemos fazer em relação às nossas emoções.

O início de qualquer limpeza mais profunda é uma grande faxina para desobstruir todas as saídas. Sabemos que se pintarmos todo o corpo com uma tinta, morreremos de intoxicação, porque os poros são bloqueados e não conseguem eliminar o suor que libera as toxinas do corpo. Como a Casa VI, é o grande lixeiro do zodíaco, em que todo o lixo das casas anteriores é colocado, o trabalho de limpeza nela é dobrado. O planeta e o signo que estiverem ali colocados têm que ser trabalhados com maior atenção, já que é para lá que serão enviadas e processadas todas as formas de lixo das outras casas. O trabalho de limpeza feito na casa VI trata do nível das relações materiais, enquanto a casa XII se ocupa do nível espiritual.

Um exemplo desse tipo de organização no dia-a-dia é a questão da realização financeira. É através do dinheiro que se ganha no trabalho que você pode se estruturar para fazer outras coisas... Estando pronto para estas tarefas, você tem condições de se enraizar. Neste setor prático da sua vida, é preciso realizar o trabalho de forma ritmada, com patrão, horário e disciplina.

A Casa VI é de grande importância no mapa, porque é através do trabalho que conseguimos estrutura para produzir saúde, enraizamento e centramento, entre várias outras coisas. Ela nos leva a lembrar que existem deveres a serem cumpridos antes de direitos usufruídos. O importante é que trabalho seja bem feito.

CASA VII: O mundo do complementar ou do oposto; as uniões, o casamento; as colaborações e associações; os inimigos declarados, processos e lutas.

O descendente ou terceiro quadrante, ponto cardeal, é iniciado pela Casa VII. Aqui, inicia-se a aprendizagem da complementação, a sabedoria de que não estamos sós, que o outro pode ser o nosso espelho e que muito sobre nós mesmos poderá ser compreendido através dos contatos, dos relacionamentos, das sociedades, dos casamentos. Casamento entende-se qualquer relacionamento baseado em compromissos mútuos, contraído legalmente ou não. Embora seja mais conhecida como a casa do casamento, é também curiosamente indicada como a "Casa dos inimigos declarados".

A Casa VII representa o encontro do homem com o Sagrado, na medida em que ele se desvencilha da prisão de "sua vontade" e passa a perceber que existe algo divino nos encontros dessa existência, e de que nada acontece por acaso, mas sim, por ocaso. Os encontros que acontecem são "colocados" em nossas vidas como se fossem provações, exercícios para unir a nossa alma, que é bastante fragmentada, através de uma outra história de natureza mais transcendental, definitiva em nossas vidas. Se isso não for visto numa relação, perderemos não só a relação, mas a possibilidade de crescer nela e com ela.

Assim como o Sol, em sua natureza, tem que se pôr para que a noite nasça, as pessoas também necessitam se retirar por um momento para dar espaço ao outro. E na hora que esse Sol se põe, nós, que surgimos com ele na Casa I, no momento do nascimento, teremos que se pôr com ele, também. O caso é que nós não estamos acostumados com as trevas, a sair de cena e deixar que o outro ou uma outra coisa brilhe em nosso lugar e ocupe o centro.

Aqui é bom ficar claro a importância de se pôr. Se pôr significa deixar de fazer determinada coisa que queremos e fazer aquilo que o outro prefere. Claro que o casamento perfeito é aquele em que o outro faz o mesmo. Todos nós temos uma Casa VII, logo, todos têm o seu momento de se pôr, e quando isso não acontece, vêm as frustrações e as insatisfações, seja no nível emocional, afetivo, profissional ou de amizades.

Se retirar do centro significa anular sua vontade para atender o que for necessário em benefício do outro. É esquecer nossos próprios desejos e vontades e priorizar o assunto alheio, entrar em ocaso, deixar que algo ou alguém brilhe em nosso lugar enquanto ficamos nos bastidores. Assim, extrairemos de cada relação o que ela pode nos dar, com espontaneidade e naturalidade, de acordo com o equilíbrio da Vida. Afinal, relacionamento significa equilíbrio. Na "Casa do Outro" devemos esvaziar nosso egocentrismo e de uma forma prática e harmoniosa, deixar que os outros brilhem. Dar o que temos para dar, em vez de cobrar aos que não tem o que nos oferecer e receber dos que tem com satisfação.

A casa VII representa Eros, deus da emoção, oposto à Psique, representante da razão, da Casa I. Segundo a mitologia, Eros chega na calada da noite e foge antes do Sol raiar para que Psique não o veja. Só existe uma maneira de perceber Eros: colocar para fora o excesso de individualidade, de sol presente que a gente tem na vida. Só esvaziando nosso ego é que abriremos um espaço para conhecer a energia do amor, de Eros. Para isso, não é necessário criar novas relações e sim trabalhar as que já existem.

Com isso, aprenderemos a "prender" o Eros em nosso cotidiano, seja dia ou noite. Colocando o outro e as relações importantes que fazem parte da nossa vida no centro. Com justiça e equilíbrio estamos atos a ir recebendo de cada coisa ou pessoa o que cada um tem para dar. Concentrando nossas energias, tempo, espaço e dinheiro no outro, podemos descobrir que as coisas são muito mais bonitas do que percebíamos anteriormente. Experimente.

CASA VIII: O mundo das crises; a morte, as destruições, as metamorfoses, os renascimentos, a sexualidade; mas também o dinheiro do cônjuge e da morte (heranças, legados).

A vida de todos nós é imprevisível. Sem sabermos como, nem porquê, algo que nunca pensávamos perder, sai das nossas mãos. A vida começa a mudar, coisas inesperadas acontecem e pequenas ou grandes perdas vão se tornando freqüentes. Vamos perdendo as coisas que havíamos conquistado e as pessoas que nos cercam. As coisas parecem não mais dar certo e ficamos com uma sensação de que estamos sendo enterrados vivos. Será?

A Casa VIII representa exatamente todos os tipos de perdas emocionais que acontecem conosco. Perdemos a carga de emoções que acumulamos durante toda a vida e da qual precisamos numa certa altura para que nós possamos nos desprender dela e atingir outros objetivos. É a hora de encarar situações que não fomos educados para entender nem para aceitar. Somos educados para ganhar, ganhar e ganhar.

Em geral, nossa reação imediata diante da perda é de luta, de novas tentativas, de busca por saídas rápidas. A oportunidade deveria ser de "dar um tempo", parar e ver qual setor da nossa vida que está precisando ser melhor compreendido e muitas vezes, no final de uma crise, resta algo novo, nascido daqueles momentos difíceis, até mesmo um potencial escondido e só agora descoberto.

A oitava Casa do Zodíaco também simboliza o local de limpeza e despejo desses excessos emocionais. Ela provoca situações embaraçosas para que algo em nós mesmos seja descoberto, algo que não havíamos percebido, por nossa escassez de percepção, de atenção. Quantas mortes, mistérios, segredos e ratos acontecem em nosso dia-a-dia? Será que estamos atentos a eles? Que segredos e mistérios existem nas perdas? Quantas vezes repetimos gestos, medos e raivas sem sabermos porque?

Estamos falando da perda dos excessos, daquela bagagem que vamos colocando em nosso barco, sem a utilizarmos nem conseguir nos desvencilhar. Então vem a vida e faz a "limpeza", no sentido até de evitar o peso excessivo para que possamos continuar nossa viagem e não afundarmos o barco.

As vezes, perdemos porque não damos tempo para que as coisas amadureçam suficientemente e possam chegar a uma realização. Na tentativa, em vão, de não perder, muitas vezes matamos a possibilidade de ver a frutificação e plenificação emocional das coisas.

Plutão, o planeta regente da Casa VIII, simboliza o aprofundamento, a regeneração, a transformação. As gerações degeneram e Plutão regenera, no sentido de aproveitar coisas ou fases ruins e inferiores. O Lotus que é uma das mais belas flores do mundo, nasce do lodo; a lagarta, um bicho pequeno, que queima, entra no casulo para virar uma borboleta. É esse o grande mistério produzido na Casa VIII, o da alquimia, da transformação da pedra em ouro, da mudança de energias ditas negativas em positivas, assim como a terra transforma excrementos em adubos. No momento em que eu estou vivo e o mundo está vivo, tenho algo de bom para retirar do mundo e uma coisa boa para dar para o mundo, e isso acontece em todas as épocas e lugares diferentes, com unanimidade, entre todos.

Todos nós temos um lado "de fora" que precisa brilhar, mas é necessário olharmos para dentro e procurarmos uma sombra que não se deve temer. Ver as coisas pelo outro lado é algo que não deve ser ignorado. Podemos sentir medo e em vez de tentarmos ir fundo e investigar, nos retiramos. Em vez de ver o invisível nos outros, preferimos vestir o capacete (adereço de Plutão) e ficarmos nós mesmos invisíveis.

Devemos ter cuidado com o medo, que nos impede de criarmos casa, de amadurecer. E nós nunca estaremos curados se o outro não estiver também, seja este quem for. Isso significa que quando enxergamos uma situação emocional arruinada, destrutiva nos outros, não podermos fingir que não vimos, nem nos recolhermos porque sentimos medo. Por outro lado, também não podemos partir para a agressão, para afastar o que tememos.

Morremos todos os dias, a todo instante. Morremos todas às vezes que fazemos uma opção, quando mudamos de emprego, cada vez é deixado para trás aquilo que havíamos nos esforçado para conseguir. Todas as vezes que assumimos uma nova postura, uma nova opinião, estamos renascendo. É preciso matar o velho para que o novo surja. Devemos sempre olhar para a nossa bagagem interior, o que carregamos na vida e que na verdade não nos serve mais.

Por isso toda atenção nos momentos de crise e de perdas. Eles podem ser a grande possibilidade da vida. Se não, por sermos tão apegados emocionalmente, por não nos darmos conta de nossa emoção, por não promovermos uma limpeza emocional, perdemos mais do que deveríamos e impedimos nosso próprio crescimento. As vezes, matamos dentro da gente uma capacidade "estranha", uma emoção, um pressentimento, simplesmente porque não aceitamos penetrar na sombra nem de nós mesmos muito menos na dos outros.

CASA IX: O mundo do longínquo; a nível externo, as grandes viagens, o estrangeiro e os estrangeiros; a nível interno, as aquisições superiores do espírito e da alma: filosofia, religião, estudos superiores em geral.

Qual é a filosofia emocional da sua vida? Depois de passar pelas perdas, choques e "mortes" em seu cotidiano, é preciso ser como a Fênix que, de maneira elevada, renasce das próprias cinzas. Este é o sentido da nona casa astrológica, o setor prático da sua vida que simboliza a maneira como você conduz e refina suas emoções, além de indicar quais são os critérios e valores capazes de elevar os seus sentimentos.

Para alcançar esta sutiliza emocional, livrando-se das coisas grosseiras, todos precisam de princípios que possam religar o cotidiano a algo maior. Existem outras formas e critérios de pensar o mundo, diferentes daquelas que você está habituado. Ir buscar estes novos princípios é realizar a longa viagem proposta pela casa IX, colocando sua visão e sentimento no ponto mais alto possível.

A sua filosofia emocional é o conjunto de critérios que você utiliza para sentir a vida cada vez melhor. Qual é o princípio e de que forma você tem conduzido a sua emoção para isto? Realizando a longa viagem que o seu cotidiano precisa, você será capaz de renascer e sublimar as suas atividades.

A Casa IX traz sempre esta elevação e um refinamento sentimental. O planeta que estiver presente nesta casa em um Mapa do Céu vai funcionar como uma peneira, que não deixa passar as emoções grosseiras e baixas.

Além de estar ligada às grandes viagens, a Casa IX também fala dos estudos elevados, diferentes dos realizados na casa III, da qual é oposta. Na III, o astrólogo poderá identificar a aprendizagem e a comunicação de uma pessoa; já na IX, ele verá como esta pessoa interpreta estas informações, estabelece uma linha e as dirige para o infinito, para o transcendente. Na III acontece o estudo, a primeira lição e aprendizado da vida; na IX, surge a sabedoria.

A religião também é vista neste setor do seu Mapa do Céu. É através dela que adquirirmos a capacidade de sair do mundo e ir em direção ao absoluto, adquirindo clareza suficiente para guiar-se com persistência, paciência e lucidez. A religião não é uma questão individual, é universal, já que tem uma só finalidade: levar o homem a alcançar o que há de maior em sua vida, apurar a filosofia que utiliza durante o seu percurso e renascer através da sabedoria.

CASA X: O mundo social; a profissão, a situação, a carreira, a reputação, as honras.

A décima casa astrológica, natural do signo de Capricórnio e regida por Saturno, simboliza a sua Profissão, aquele trabalho no qual você busca aperfeiçoar-se ao máximo e, com ele, atinge a sua realização. Ninguém pode atingir a Perfeição durante a vida, mas através desta casa, você provavelmente terá um vislumbre desta Perfeição.

A Casa X, que começa com a linha do Meio do Céu, é o ponto mais alto do zodíaco. Para saber onde ela fica, é só imaginar uma linha reta puxada verticalmente de nossa cabeça no instante do nosso nascimento para o ponto mais elevado do céu (no mesmo onde está o Sol quando é meio-dia). Só conseguimos enxergá-la se fizermos um esforço, "esticando" o pescoço, já que está acima da nossas cabeças.

A Casa X inicia o último quadrante do Mapa, ou seja, o último "conjunto" de três casas que contém um símbolo correlato. Ela marca o Impulso de Realização do ser humano, a meta mais alta que cada um deve atingir.

Mas será fácil esta tarefa, a de buscar a perfeição e o máximo de nós mesmos em um mundo tão imperfeito? Diante da desarmonia que nos cerca, como nos inspirar e aspirar o melhor?

O esforço que você deve empregar para cumprir este setor prático da sua vida e, com isto, evitar a frustração, é inspirar-se numa meta e não se preocupar com os seus ganhos pessoais. É claro que você pode, com essa realização, ficar famoso, ser reconhecido socialmente, mas o aperfeiçoamento ao qual está ligado a Casa X, está totalmente desvinculada dos benefícios próprios. Ele é um Dom a ser utilizado em prol de uma comunidade. Você pode até ficar rico com ele, mas não pode "criar fama e deitar na cama". Com a sua verdadeira profissão, você assume um compromisso.

Para ser profissional, não basta apenas chegar na hora no trabalho e fazer tudo a seu tempo. É preciso, sim, buscar a perfeição, o aprimoramento constante, por mais experiência que já se tenha naquela função. Para ser profissional, você precisa alcançar o seu Zênite, aquilo que há de mais alto em você, para então brilhar e realizar-se.

Pense naquilo que você já realizou nesta vida. Que trabalho ou obra você apresentou à sociedade e pode apontar como algo que realmente trouxe a realização para você? Dê mais atenção a isso, mesmo que você não tenha uma profissão ainda definida. Faça seu trabalho com amor e vigilância, tentando ser melhor a cada dia.

Esta perseguição do Perfeito, a vigília do trabalho que está sendo realizado, o aprimoramento máximo dentro das imperfeições do mundo são o maior significado da Casa X. Mesmo sabendo que a perfeição é inatingível a nós, se estivermos buscando estar melhores a cada dia, é em direção a ela que estaremos caminhando.

CASA XI: O mundo das afinidades; as amizades, as proteções, a ajuda, os socorros.

Para sermos livres, precisamos antes conhecer nossos limites emocionais - os condicionamentos mais entranhados em nosso padrão de comportamento, aqueles que repetimos automaticamente - para depois livrarmo-nos deles. É na 11ª casa astrológica que encontramos estes possíveis condicionamentos e, também, uma dica de como vencê-los. Neste setor prático da nossa vida não podemos ser autômatos, devemos usar a mente para a realização de ideais e da criação.

Você está preso e subordinado a quê? A quem ou a o quê entrega a "sua cabeça" para que seja "feita"? Será que não está muito subordinado às necessidades da matéria, a tal ponto que é impedido de até mesmo olhar o céu? Quando mantemos a cabeça abaixada, acabamos por olhar somente o nosso próprio umbigo. Olhar o céu é libertar-se, é tomar conhecimento do infinito, eterno e do perfeito.

Quando falo matéria não me refiro à Terra, à mãe Gaia, pois é a Terra que nos dá o sustento, oferece a base para os nossos pés e serve como nosso ponto de apoio. Não podemos olhar o céu e voar em nossa imaginação sem termos as bases bem plantadas, os pés confortavelmente e amorosamente bem integrados à Terra. Estar subordinado significa estar pensando apenas em sucesso pessoal ou em uma liderança que atenda somente a nossa vaidade. Um ideal só é realizado quando totalmente liberto da necessidade de aplausos, de reconhecimento pessoal, de glórias e honras. Libertar-se das vaidades, do orgulho e do ego é criar asas para voar e possibilitar verdadeiras criações.

Cada um precisa libertar-se da bola de ferro que o prende e aumenta cada vez mais. Esta "bola de ferro" é o condicionamento que não nos deixa caminhar, quanto mais voar. Libertados desta corrente, devemos então analisar o que podemos fazer com nossa humanidade e potencialidade.

Todos temos nossas sementes ainda não plantadas. Para que esta sua potencialidade desabroche, você precisa pensar e fazer circular suas idéias. É preciso pegar a faca e cortar o queijo, e não manter um potencial para nunca ser realizado. Libertar-se dos condicionamentos não significa encontrar as potencialidades, mas significa que é por ali que emocionalmente você pode encontrar a sua libertação.

Para alcançarmos este vôo, nada melhor do que estar leve, sem apegos ou padrões de comportamento repetitivos. É imprescindível que você tome consciência da vida que está levando, o que anda fazendo com suas idéias, ideais e capacidade de realizar seus potenciais. O que você tem feito com o seu poder maior, doado a todos os homens, que é o Dom do Livre Arbítrio? Como tem feito suas escolhas? Ao menos tem utilizado esse potencial maior, que é a capacidade de decidir sua própria vida?

Para saber decidir bem, o primeiro passo é romper com os condicionamentos e deixar para trás os pesos que não lhe deixam voar. Temos as chaves para abrir nossos compotas e deixar a alma sair, temos o livre arbítrio, temos o pensamento. Se pararmos para pensar, o mínimo que seja, já estaremos nos libertando de várias bolas de ferro. O pensamento é uma grande chave para a verdadeira liberdade. Pense um pouco mais antes de agir.

CASA XII: O mundo das provações e do inconsciente; doenças, cativeiros, exílios, retiros, hospitais, lugares de reclusão, inimizades ocultas e fracassos.

O último setor prático de um Mapa do Céu analisado pela Astrologia, a casa XII, é o ponto que mostra a sua missão em ser co-participante do grande espetáculo do Universo, que é a Vida, buscando a Unidade de todas as coisas.

É muito natural que, dentro de algumas destas situações, você acabe sentindo-se ferido, tendo sido desviado dos seus planos e projetos. O importante nestes momentos é não perder tempo com reclamações e lamentos, mas entender como você pode tornar-se um canal para que o Sagrado aja através de você. Quando não há esta percepção, o que seria sacro-ofício torna-se sacrifício, um dos mais freqüentes artifícios que as pessoas utilizam para não ficarem nulas diante do Maior e fazerem parte do grande espetáculo da Vida.

Quando bloqueamos a nós mesmos e deixamos de ser um canal para que o Sagrado aja através de nossos atos, evitando assim os sacrifícios, esta omissão acaba por gerar algo muito pior, que é o sentimento de tristeza, vazio e a depressão. Todo o sofrimento desnecessário nasce quando as pessoas tomam atitudes que as separam da Unidade.

A verdade é que ninguém nasceu, à luz da Tradição, para o sofrimento. Mesmo assim, todos os seres humanos sofrem e muito. Esta contradição acontece porque as pessoas deixam de contemplar o mais belo e sublime de todos os espetáculos, que é a vida, e perdem a noção de que esta beleza só pode ser realizada através delas próprias.

As pessoas transmitem, umas para as outras, o apoio necessário para que vivam. Se alguém ajuda o outro, está, na verdade, servindo de canal para que uma energia maior passe através dele, muitas vezes mesmo sem perceber. Ao entregar-se, anular-se ao Sagrado, oferecendo-se como canal, você é alimentado e afasta a depressão e o sofrimento da sua vida. As pessoas que chegam para "beber" desta energia são chamadas "mendigos". Em vários momentos, você mesmo é mendigo e a outra pessoa está no papel de canal, repassando algo que você necessita para o seu crescimento e desenvolvimento. Isso não significa que um mendigo seja sempre amável e humilde, muitas vezes as pessoas aproximam-se e arrancam de nós algo que desejam, até de forma grosseira. O importante é reconhecer, nestas horas, um momento de anulação e doação.

A confusão começa quando você pensa que está repassando toda essa beleza para o outro. Ao imaginar que tudo que acontece em sua vida é de única e exclusiva iniciativa sua, você deixa de perceber a interferência da Unidade e passa a comportar-se como se ela não tivesse nenhuma responsabilidade sobre as outras pessoas e nem sobre as circunstâncias. E o pior: acaba pensando que as pessoas a quem você repassou algo lhe devem alguma coisa. Nestes casos, é bom nunca perder de vista que você é apenas um instrumento do Sagrado.

As formas desse contato com o Sagrado acontecem nas mais variadas situações da vida. Eles representam oportunidades de se "anular", de se oferecer como canal. Assim como uma simples mangueira derrama água sobre as plantas, fornecendo elementos para que vivam, nós também podemos canalizar o que o outro precisa para a seu desenvolvimento.

Casas vazias? O que significam?

A reação natural que uma pessoa tem ao ver o seu mapa pela primeira vez, é ficar preocupada com as casas que não possuem nenhum planeta. Se a casa 7 está vazia, por exemplo, surge imediatamente a pergunta: será que nunca vou me casar ou me associar a ninguém? Como cada casa está associada a uma determinada área prática da vida, é natural que a ausência de um planeta assuste à primeira vista, mas isto não significa que aquele campo de experiência desta pessoa seja inexistente.

Para trabalhar aquele setor do mapa sem planetas, você precisa dispensar um pouco mais de atenção a ele, já que este cuidado não surge naturalmente, como em outras áreas. Os planetas representam planos emocionais e a ausência deles em algum setor significa que não é natural para você colocar a sua emoção naquele ponto, o que pode gerar algumas dificuldades, mas não inexistência.

Só como exemplo, podemos pegar a Casa 1, que simboliza o temperamento e comportamento de uma pessoa. Existe algum ser humano que não possui um temperamento ou que não se comporta de determinada forma diante da vida? Uma pessoa não vai deixar de ter personalidade só porque não tem nenhum planeta na Casa 1. A dificuldade que ela pode enfrentar é a de não saber se colocar ao centro das situações tanto quanto deveria e ser muito neutra em relação a si mesma, dificuldade que pode ser trabalhada, depois que for percebida.

É esta a grande contribuição da Astrologia: às vezes, alguém pode estar com um problema profissional (Casa 10) e através da leitura do mapa percebe que as dificuldades acontecem por uma deficiência na Casa 1, como a citada anteriormente. A Astrologia não serve para dizer o que vai ou não acontecer, mas para ajudar as pessoas a compreenderem melhor os seus trunfos e dificuldades. As tendências no mapa não são verdades imutáveis, mas pontos que podem ser identificados, amenizados ou até exaltados, através do livre-arbítrio de cada um.

Resumindo ...

Ascendente - Impulso de Orientação, a "Aurora"

CASA I - Ser - Temperamento e Comportamento
CASA II - Ter e Fazer - Dinheiro e Segurança
CASA III - Aprender - Primeiros Estudos e Cotidiano

Fundo do Céu - Impulso de Fundamentação, "Nadir"

CASA IV - Sentir e Sonhar - Família e Lar
CASA V - Prazer - Criação e Filhos
CASA VI - Trabalhar - Direitos/Deveres e Saúde

Descendente - Impulso de Complementação, "Crepúsculo"

CASA VII - Associar - Casamento e Sociedades
CASA VIII - Transformar - Perdas e Heranças
CASA IX - Refinar - Filosofia e Religião

Meio do Céu - Impulso de realização, "Zênite"

CASA X - Aperfeiçoar - Profissão e Aprimoramento
CASA XI - Libertar (se) - Amigos e Potencialidades
CASA XII - Doar - Sacrifício e Caridade

Concluindo ...

Se os signos significam os papéis a serem desempenhados, são os planetas que dão a tônica, como atores a desempenharem esses papéis estabelecidos.

As casas, por sua vez, associadas aos planetas e signos, nos revelam os setores da vida e aos assuntos que estão sendo tratados, dando-nos referência de como lidamos com os mesmos, sendo importante fator a ser considerado na interpretação de um mapa.

Na prática, tomam-se em consideração os eixos das Casas opostas que têm significações paralelas. Assim, tal como o eixo Gémeos-Sagitário corresponde às tendências móveis e viajantes, o eixo III-IX representa as pequenas e grandes viagens. Note-se também que o eixo II-VIII é relativo ao dinheiro, ganho pelos próprios meios ou através dos outros; o eixo V-XI é o das trocas afetivas, sentimentais e amigáveis; o eixo VI-XII é o dos problemas de saúde, pequenas e grandes doenças. Apenas os eixos I-VII e IV-X parecem puramente complementares ou antagonistas.

Fontes:
http://portodoceu.terra.com.br
http://www.astro.com
http://www.astrologica.com.br

3 Comentários:

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Contornando o Trafic Shaping ...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009, 09:03 Eduardo Rolim 0 Comentários

Não chega a ser um segredo de Estado que provedores de banda larga utilizam técnicas para moldar o tráfego online gerado por seus usuários. É uma maneira de impedir que um pequeno grupo de heavy users consuma tanta banda que torne a experiência em geral insatisfatória para a grande maioria.

A desculpa oficial dos bastidores do mercado tem nome: traffic shaping. Certos protocolos ou programas são bloqueados ou têm velocidade de acesso à internet reduzida como forma de não consumir banda demais. Não chega a ser uma surpresa constatar que redes P2P e torrent estão entre os mais atingidos pelo traffic shaping.

Oficialmente, nenhuma prestadora de serviços de acesso em banda larga brasileira assume e justifica o uso das técnicas. Mas, em uma espécie de força-tarefa gigantesca ao redor de um mesmo tema, usuários juntaram indícios suficientes para implicar o nome de grandes provedores de banda larga do País.

Ainda assim, vale lembrar que a maioria dos provedores coloca em contrato uma garantia de velocidade mínima ofertada - na maioria, 10%...



Como todas delas juram de pés juntos que não interferem no próprio tráfego, nenhuma vai ficar chateada se juntarmos as principais dicas para evitar que sua velocidade de download seja afetada pelas "interferências técnicas" de suas redes, não?

Um método usado pra determinar se há bloqueio de protocolos ou programas é verificar a velocidade da própria conexão à internet. O Glasnost testa se seu provedor está interferindo no seu tráfego de torrent. A ferramenta, criada pelo Max Planck Institute for Software Systems, não exige download e faz os testes nas conexões em até 7 minutos.

Para entusiastas que querem ir mais fundo, a Electronic Frontier Foundation criou uma ferramenta chamada Pcapdiff que testa se seu provedor está mexendo com seu tráfego de torrent.

Ainda, o criador do cliente BitTorrent Vuze criou um plug-in para o programa que determina se seu provedor está interferindo no tráfego, o que ajudou a Vuze a criar um ranking mundial de traffic shaping que, sem surpresas, inclui as grandes provedoras de banda larga no Brasil.

Se as estratégias indicarem que, sim, seu provedor mexe no seu tráfego sem sua autorização, várias medidas podem ser tomadas como contra-ataque. Algumas destas técnicas podem funcionar com um provedor, mas não com outro.

Primeiro, tente usar encriptação no seu tráfego P2P. Programas como BitComet, BitTorrent, uTorrent, e Vuze oferecem a encriptação. Ao habilitar a função, fica muito mais difícil (impossível, em alguns casos) que seu provedor detecte o uso de softwares de P2P.


As explicações para os quatro programas seguem abaixo:

BitComet: vá ao menu Option, clique em Preferences, Advanced, Connection, e selecione a opção Protocol encryption.

BitTorrent e uTorrent: vá ao painel Preferences e selecione a aba BitTorrent. Clique em Protocol encryption e selecione Enabled.

Vuze: antes, mude seu perfil do modo iniciante para o avançado. Vá ao menu Tools, abra o Configuration Wizard e selecione o Advanced. Em seguida retorne à função Tools e clique em Options, Connection e Transport Encryption. Selecione Require encrypted transport, vá ao menu Minimum encryption e escolha encriptação RC4.

Um segundo método de driblar a restrição de tráfego é mudar a maneira como o protocolo de torrent age. Este método funciona em provedores que tentam frear velocidades baseadas nas configurações padrão dos clientes torrent.

Para reconfigurar o software, procure as instruções de suporte oferecidas pelo responsável pelo cliente de torrent que você está usando. Uma maneira simples, porém efetiva de experimentar configurações alternativas, é simplesmente mudar de programa. Diferentes softwares usam diferentes protocolos, e um pode se sair melhor na rede do seu provedor que outro.

A porta de comunicação padrão usada no tráfego de torrent é a 6681. Provedores sabem disto e vigiam esta porta. Caso um provedor freie ou bloqueie o tráfego de P2P por esta porta, sua velocidade cairá consideravelmente.

Já sabendo disto, muitos programas de torrent já vêm com funções para mudar ou alternar a porta de tráfego de torrent, com alguns deles tentando até mesmo configurar o firewall automaticamente para agilizar o tráfego. O excelente site Port Forward lhe dará dicas valiosas sobre como configurar seu roteador para fazer o trabalho manualmente.

Um método mais avançado é usar um túnel encriptado que, como sugere o nome, blinda seu tráfego de supostas manipulações do seu provedor.

Serviços gratuitos como o The Onion Router e o I2P foram criados para enviar mensagens anônimas e encriptadas, mas alguns usuários os adaptaram para usar em conexões torrent. O Vuze tem suporte nativo para rotear o tráfego pelo Onion Router ou o I2P.

Os provedores, no entanto, estão ficando mais espertos quanto às técnicas usadas. Alguns, inclusive, chegam ao extremo de bloquear qualquer aplicação que pareça usar tráfego torrent. Caso isto aconteça contigo, ou você deve trocar de provedor ou testar um novo software torrent.


Se você espera que órgãos de regulamentação como a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), corram atrás do traffic shaping, em curto prazo, é bom não criar muitas expectativas. Ainda assim, há novidades tecnológicas que podem facilitar nos próximos anos o uso de aplicações torrent.

Nos EUA, entidades como a Electronic Frontier Foundation pediram que a Comissão Federal de Comunicações (FCC) investigasse os casos trazidos pelos usuários, mas admitem que não pretendem adotar uma nova regulamentação para forçar provedores a desistir de qualquer prática que atrapalhe o tráfego alheio.

No Brasil, o problema está na Justiça brasileira, com processos iniciados há mais de seis anos e parados por falta de averiguação técnica.

Leia o artigo completo no site Computerworld.

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HTC Hero - The Good, The Bad and The Ugly

sexta-feira, 2 de outubro de 2009, 21:33 Eduardo Rolim 2 Comentários

Segunda-feira, mais precisamente ao timestamp 1252947600, eu recebi meu HTC Hero nas mãos. Já fuçei, já baixei programas, já procurei de tudo para ele, e agora estou entrando no estado em que somente as boas coisas que me agradaram ficam. Mas, ainda é pouco tempo para poder falar mais abertamente desse celular. Então, resolvi lembrar dos bons e velhos tempos de Clint Eastwood e fazer um review diferente. Então, aproveitem.

Só para lhes informar, este não é o primeiro "espertofone" que eu compro. Inicialmente eu tive um N91, primeiro com funções mais avançadas que o até então surrado Nokia 6230 que eu tive. O N91 vinha com vários programas instalados e suporte à Java3D, o que eu achava incrível na época.

Em termos de recursos, o 6230 era quase imbatível para os celulares de seu tempo e categoria. Só não vinha com o sistema Symbian, o que era uma pena. No entanto, eu acabei comprando o N91 imaginando que seria uma evolução do mesmo. Minha decepção só não foi maior que meu desgosto pela tal plataforma Symbian ... Sistema lento, travava frequentemente (as vezes tinha de tirar a bateria do casco) e a instalação de programas era nebulosa e só para os pacientes.

Em seguida, voltei de novo pros celulares. Comprei um Samsung D600 pra mim e minhas esperanças de ter um celular melhor voltaram. Não era um espertofone, mas ele era esperto em várias coisas, assim como era o Nokia 6230...


Os tempos passaram, e eu senti novamente a necessidade de trocar de celular. Dessa vez iria tentar uma empresa que tinha recentemente ouvido falar, chamada HTC. Eles ofereciam um smartphone chamado Touch, com o Windows Mobile. Eram os tempos do lançamento de um tal de iPhone, nova promessa da Apple para desafogar as dívidas da empresa. No começo me senti muito feliz com o mesmo, mas logo os problemas foram aparecendo. A impressão geral que eu tinha era a de que o software instalado nele era muito mais pesado do que o hardware conseguia rodar. Um dos problemas clássicos era a necessidade de fechar a maioria dos programas para poder rodar o software da câmera, e o enchimento gradual da partição do sistema operacional, o que me levava a hard resets a cada um mês ou dois. Ele era uma promessa, e realmente era melhor do que eu já tinha experimentado, mas ainda tinha um longo caminho pela frente.

Fiquei com esse durante muito tempo, sofrendo e sendo feliz com ele, até que decidi então voltar mais uma vez para o mundo dos celulares. Comprei um Samsung D900i, mas definitivamente não sentia mais aquela coisa com os celulares. Sentia que faltava algo, que meu celular podia ser mais esperto, me ajudar mais. Então, depois de alguns anos, novamente encarei comprar meu terceiro espertofone. Dessa vez fiz um estudo intensivo do que eu realmente queria, e entre todos os recursos, o que mais me importava era: "interatividade" e "facilidade de uso". Nesse ponto, passaram pelo meu crivo vários celulares. Samsung Omnia, HTC Diamond, Qtek, Motorola, iPhone [3G], até mesmo duas plataformas livres, LiMo e OpenMoko que, aparentemente, não foram para frente.

Já estava fadado a desistir e encarar novamente o Windows Mobile (pra quem usa linux, um celular Apple pode ser realmente um pesadelo), quando fiquei sabendo de um tal SO do Google. Fazia algum tempo que eles falavam disso, buzzwords surgiam e nada, até que revelaram ser um sistema para celular, baseado em Linux. Num primeiro momento me empolguei com a idéia e fui à caça de informações sobre o bixinho. Depois de um tempo, saiu o G1 e minha vontade de comprá-lo era grande, mas ainda me sentia insseguro. Muitas pessoas reclamavam da duração da bateria, do hardware lento demais para o SO, entr outros. Depois, saiu o HTC Magic e melhorou a coisa, mas lá no fundo ainda não me agradava. Foi então que numa tarde ensolarada de sábado, ao entrar no site Mobile Review, me deparo com o mais novo lançamento da HTC, um tal de Hero, que vinha com uma interface baseada em Flash, rodando em cima do Android.


No começo, fiquei cético, mas depois meu ceticismo foi tomando lugar à uma admiração velada à esse que parecia ser finalmente um espertofone que encararia o grande iPhone 3G. E realmente ele era tudo isso. Bom hardware, vinha com GPS, ótimos sensores de movimento, ótima tela (finalmente capacitiva), ótima interatividade, e o melhor de tudo, vinha com o Android Market, um "repositório" de programas para a plataforma Android.

Não durou muito tempo minha admiração velada. No começo do mês de setembro eu acabei comprando o meu Hero via um interceptador internacional. Ao contrário do que fiz com os outros, encarei esse com ceticismo novamente, evitando me exaltar e não perceber as falhas numa investigação inicial.

Daí, depois de comprá-lo, estou aqui escrevendo para vocês o que achei desse celular até o momento. foram poucas semanas de testes, ainda estou experimentando os seus recursos, mas até agora não há o que reclamar de verdade sobre ele, só colocações que depois vou averiguar serem pertinentes ou não. Vamos lá.

HTC Hero - Primeiras Impressões - The Good, The Bad and The Ugly


The Good:

* Android OS – É Linux, não tenho mais nada para acrescentar!

* O dispositivo em si - Um excelente design, uma boa forma, e ainda vêm com Teflon na versão em branco, que evita que o mesmo suje com facilidade (veja bem, com facilidade).

* O trackball - Nunca imaginei que esse recurso, que no início achei dispensável, poderia ajudar tanto. Hoje considero um recurso praticamente indispensável. Desde navegação até o zoom da câmera e movimentação nos programas baseados no Maps, é sem dúvida muito melhor que os 4-way buttons de outros celulares.

* Suporte a Python (e outras linguagens, como Perl, Ruby e Lua) - Sem comentários, simplesmente fantástico. Você mesmo pode criar seus scripts para facilitar algumas tarefas diárias (como mudar pro modo silencioso se ele estiver virado pra baixo ou enviar uma mensagem quando alguém lhe ligar) Graças ao Android Scripting Environment (http://code.google.com/p/android-scripting/)

* Sincronização com Linux - Simplesmente fascinante. O modo rede é totalmente automático. Hoje substitui meu modem MF 636 com total eficiência. Só no windows que é necessário instalar um driver, que se encontra dentro do SD Card que vêm por padrão com ele. O modo pendrive tb funciona perfeitamente.

* Android Market - O que têm tirado meu sono nas quentes noites Palmenses. Sempre antes de dormir dou uma passada por lá para procurar algum software diferente. Têm tudo o que eu preciso (e até o que não preciso tb).

* Qualidade da Ligação - Testei pouco, só nos primeiros dias. ótima recepção e com baixo ruído.

* O teclado virtual - Não testei na versão Android, só na versão Sense UI. Muito bom em identificar a digitação. As vezes erra, mas no geral têm uma excelente precisão. Dá até pra conversar no MSN sem se sentir irritado.

* Desenvolvimento de Software - Já citei o ASE, mas no caso específico de desenvolvimento de aplicativos, bate longe o iPhone. API aberta, posso desenvolver no Linux ou no Windows usando o Netbeans (depois conto como botei pra funcionar com ele). Ah sim, não preciso pagar 100 Obamas pra usar a SDK. (Hadooken !!)

* Conector para fones de ouvido padrão 3.5mm (P2 ou J2) - Ao contrário de todos os outros espertofones da HTC, finalmente eles colocaram um conector padrão P2 (com suporte a controle). Finalmente posso usar meus fones Sony com eliminação de ruído externo hehehe.

The Bad:

* Falta de um aplicativo melhor para músicas - Nada contra o atual, mas ter de ficar editando tags dos arquivos pra poder montar playlists não é a melhor opção de organização de músicas. Funcionalidade boa, mas podia ser mais intuitivo em vários pontos, e com mais opções de personalização. E o pior de tudo, não guarda a última playlist que vc estava ouvindo. Além do mais, é um aplicativo muito pesado e as vezes reinicia o Hero quando vc tira o fone enquanto apertando algum botão do controle.

* Sem aplicativos pagos para o Brasil (e grande parte do mundo) - Acredito que eles resolverão isso logo. Muitos dos bons jogos são pagos, a não ser que vc goste de jogar bricks e opensudoku ...

* Responsividade da tela - Como todas as telas capacitivas, as vezes ele não responde bem quando você não está tocando a borda de metal em volta da tela. Nem todo mundo nota, só quem já usou um iPhone e praticamente flutuava o dedo na tela. Não acontece sempre, e mesmo quando acontece, não é algo que chega a irritar.

* Ligeiro lag na UI - A interface Sense UI é realmente uma maravilha aos olhos e à usabilidade desse smartphone. No entanto, as vezes demora um pouco para responder a toques de tela e movimentações, principalmente quando você acabou de clicar em Home e a UI está se atualizando. No entanto, é muito sutil e só quem já usou o iPhone pode realmente perceber uma diferença. No entanto, o lag definitivamente não é aquele monstro que alguns reviews dizem parecer. Se querem responsividade alta da UI, usem um com placa de vídeo da nVidia hehehehe.

The Ugly:

* O Fone que acompanha o Hero - Não que seja ruim, mas há tantos fones bons no mercado, que o que acompanha ele parece frugal em suas respostas de graves e potência sonora. Outro detalhe é que ainda é daqueles bolinha, que ficam dependurados na cavidade auricular. Esperava pelo menos um do tipo plugue interno. Usei muito pouco, troquei logo pelos meus fones Sony.

* Reprodução de Vídeo - Não é totalmente feio, mas em vídeos mais longos vc nota um lag em relação ao audio. Mesmo em resoluções baixas é difícil conseguir uma velocidade de reprodução decente. Os vídeos congelam por alguns segundos e de repente disparam em velocidade até alcançar o ponto onde deveriam estar reproduzindo.

---

O Hero têm seus defeitos, quase todos de performance/responsividade. No entanto, acredito que todos esses problemas possam ser resolvidos com updates no software base. só uma última consideração que acho válida. A plataforma Android está constantemente sendo atualizada, mas não tenho visto esforços da HTC em disponibilizar tais updates disponíveis para os usuários do Hero (e agora o Magic com Sense UI). Espero que em breve eles atualizem para as versões mais atuais, que contam com várias correções de bugs e novos recursos, como um Market mais organizado e melhorias no sistema em geral.

Finalizando, de todos os espertofones que testei, o Hero realmente está me cativando, é até agora o melhor que já passou pelas minhas mãos e aparentemente o melhor com Android até agora e certamente é uma alternativa altamente viável aos iPhones da Apple.

Em breve, postarei mais sobre minhas peripécias com esse novo "espertofone" que têm se mostrado mais esperto que eu imaginava. Abraços.

Links:

HTC Hero vs Apple iPhone 3GS - Dogfight
Parte 1: http://www.youtube.com/watch?v=G5F0Ruzwos8
Parte 2: http://www.youtube.com/watch?v=5xMUEhFBJ8g
Parte 3: http://www.youtube.com/watch?v=xa1zvj5YDy4

Apresentação do HTC Hero

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